A Diretora da Escola convoca a bibliotecária à sua sala
- O que está havendo?
- Não estou entendendo.
- Ora, Jenifer, não se faça de tonta. Você tem evitado os colegas. Nem hoje que a gente cantou os parabéns pro Genildo, você não apareceu na sala dos professores.
- Ah, dona Mercedes, eu não consegui fechar a biblioteca na hora do recreio. A diacha da Maria da Graça, lá da oitava C, não me deu sossego. É todo dia a mesma coisa...
- Deixa que eu vou falar com ela.
A aula de Matemática é interrompida, a aluna Maria das Graças é convocada à sala da diretoria.
A criança de treze anos se encolhe diante da autoridade, semelha planta raquítica insistindo perto da árvore.
- Você continua me desobedecendo, não é?
- Desobedeço não senhora.
- Ah, então você foi brincar no pátio na hora do recreio?
- Não fui não senhora, eu fui na biblioteca.
- E eu não te disse que recreio não é pra estudar, é pra brincar?
- Sabe o que é? A dona Geni...
- Não é Geni, é Jênifer.
- -É, é... mas ela não deixa a gente levar o livro pra ler em casa, tem que ler lá na biblioteca.
- É claro. Imagine que jeito que os livros ficariam se...
- Então a gente só tem a hora do recreio...
- Pêra lá. Eu já te falei da outra vez; hora do recreio é pra recreio. Entendeu? Pode ir.
A Coordenadora é convocada à sala da diretoria.
- Queria falar comigo, dona Mercedes?
- Queria. É pra você ficar de olho na Maria das Graças, da oitava C. Ela continua com aquela esquisitice de não se misturar com os colegas. Só pensa em biblioteca.
—- Pode deixar, dona Mercedes. Mas os professores falam que ela é boa aluna.
- Pode ser... Mas não é certa da cabeça. Se continuar do mesmo jeito, a gente vai ter que encaminhar a coitadinha pra psicólogo. E aí vai ser aquele trabalhão de preencher papel e mais papel...
- Ah, essas crianças desajustadas...
Luiz Cruz de Oliveira
Professor, escritor, membro da Academia Francana de Letras
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