O perigo vem de dentro


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Mais de uma vez utilizei esse espaço para emitir opinião sobre a influência perversa que a televisão exerce sobre as pessoas. Conscientes ou não, empresários do ramo são criadores de realidade, demiurgos, artífices que ameaçam a vida democrática e política do País, assim como a sanidade mental da população.


Para se ter uma idéia do mal que arrasa o País no item informação e cultura, no Japão, país incomparavelmente menor que o Brasil, apenas um jornal vende em torno de 14 milhões de exemplares por dia. As pessoas leem. No Brasil, o jornal que mais circula em âmbito nacional não consegue vender meio milhão exemplares por dia, quase a mesma quantidade que se vendia na década de 1950. Estranho que naquela época, o analfabetismo era endêmico e a densidade demográfica era muito menor. Atualmente, sobram vagas nas escolas. Por essas e outras, onde poderíamos encontrar a ‘rainha das saúvas’, responsável pelo analfabetismo funcional no país? Ou o Brasil acaba com esse paradigma de educação, ou esse paradigma de ‘educação/desinformação’ acaba com o País.


Para piorar, a televisão molda as diversas categorias de percepção da realidade. Ela cria a realidade que bem lhe aprouver. Será que alguém se pergunta sobre ‘quem informa as pessoas que vão nos informar?’. Quem será ‘o deus oculto’ que comanda esse universo?


Esse ‘fast food cultural’, pré-frito, ‘pré-digerido’, ‘pré-pensado’, uniformizado, sem oposição, competição ou concorrência no legítimo sentido do termo, essa verdadeira operação de desinformação, para onde nos levará? Democracia significa, dentre outras coisas, acesso à informação. Mas o que ocorre no Brasil há mais de 20 anos. é um verdadeiro atentado à informação.


Eleições regulares não garantem que um País seja democrático. Como saber em quem votar se não se tem acesso à verdade sobre a realidade política do País e sobre as ligações dos candidatos? Sobre isso existe uma grande confusão na mente dos eleitores. Os incautos eleitores brasileiros deveriam se preocupar não com as convicções políticas dos candidatos. Convicção, prezado leitor, é uma expressão inócua para servir de parâmetro ao seu voto. No Brasil, os políticos mudam de convicção todas as vezes que mudam de lugar. Os medíocres não possuem convicção.


Aliás, a maior ofensa que os políticos nacionais trocam entre si é chamarem-se, uns aos outros, de direitistas. Ao que parece, eles articulam entre si para competir sobre que é mais direitista que o outro. Mas a ‘direita brasileira’, ou seja, os conservadores, no bom sentido do termo, foram exterminados no tempo do regime militar. Só sobraram esquerdistas.


Por ai, eles se acusam entre si de direitistas, quando são contrariados pelos ‘adversários’, que na verdade não existem de fato. O Brasil virou um grande consórcio onde toda a administração foi dividida entre a direita da esquerda e a esquerda da esquerda. Não lhe ocorre, estimado leitor, que numa democracia, obrigatoriamente tem de existir esquerda e direita?


Os discursos desses agentes estão em franco desacordo com o que realmente pensam e querem para o Brasil. Mas ninguém sabe disto.

 

Nadir Ap. Cabral Bernardino
Professora

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