Mortes no hospital


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Não deixa de ser preocupante o levantamento feito pela Sotierj (Sociedade de Terapia Intensiva do Estado do Rio de Janeiro), divulgado no começo do mês, mostrando que a infecção generalizada (sepse, a popular septicemia) causou a morte de 220 mil brasileiros, segundo dados de 2008. De acordo com a Sotierj, esta estatística se deve principalmente à má formação dos profissionais no país. Outra pesquisa, esta feita pelo Instituto Latino-    Americano da Sepse (Ilas), com 917 médicos de 21 hospitais brasileiros, comprovou tal deficiência. Apenas 27% dos médicos participantes conseguiram diagnosticar a infecção generalizada nos pacientes. Segundo dados do mesmo instituto, colhidos em abril, 48,7% dos pacientes com sepse grave e 65,5% dos pacientes com choque séptico morreram no Brasil. No mundo, 23,9% morreram de sepse grave e 37,4% de choque séptico. É uma situação grave e, se não houver um trabalho mais cuidadoso para identificar com maior clareza a infecção e tratá-la com rapidez, pode-se perder facilmente esta batalha.


Franca ainda está sob o impacto de uma situação que ilustra bem o assunto: no final do ano passado, a Secretaria Estadual de Saúde descobriu o surto de infecção hospitalar (provocado pela bactéria Klebsiella) na Santa Casa de Franca, que causou a morte de 19 recém-nascidos. De acordo com as autoridades, ainda se percebe a falta de sistematização nos atendimentos médicos, não apenas aqui, mas em todos os hospitais do País. Foi-se o tempo em que mortes por septicemia não eram questionadas. Décadas atrás, a infecção hospitalar era considerada inerente ao atendimento médico em hospitais e, por isso, seria inevitável. Não é o que se vê hoje.


Embora seja alarmante, a disseminação da infecção, principalmente dentro dos hospitais brasileiros, ainda não é o principal problema da saúde brasileira - seja ela de ordem pública ou não. Erros médicos permanecem em nível elevado (as denúncias crescem de forma assustadora, conforme atestam levantamentos do Conselho Federal de Medicina e nas regionais estaduais), exigindo uma ação dos Ministérios da Saúde e da Educação para tentar controlar a qualidade do ensino de Medicina no País. Cursos foram fechados, outros tiveram as vagas limitadas, mas ainda não há resultados positivos a respeito. Enquanto a vida humana continuar sendo tratada de forma negligente e alguns profissionais médicos não entenderem a importância de seu comprometimento com os pacientes, estaremos sujeitos e vulneráveis a essas situações.

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