Boitatá


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Como estamos no mês do folclore, vamos falar de um bicho mítico, ou seja, que só existe na imaginação dos povos ainda não civilizados, que não conseguem explicar as coisas de um modo racional. Os índios que habitavam o Brasil quando os europeus aqui chegaram tentavam explicar muitos fenômenos da natureza com a sua criatividade. É o caso do boitatá.


Os primeiros portugueses desembarcados em nosso país já ouviam falar dele. Padre Anchieta, que aqui aportou 50 anos depois do descobrimento, deixou escrito que os índios lhe falavam de uma cobra que assombrava os que punham fogo nas matas. Segundo eles, o boitatá morava no mar ou nos rios, e quando via alguém colocando fogo nas matas, saía das águas com a forma de uma serpente enorme, que tinha dois olhos parecidos a faróis, e uma pele transparente mostrando que dentro dela havia também fogo. Diziam que quem encontrava este animal fantástico ficava cego só de o olhar. Às vezes morria; em outras, enlouquecia. Esta cobra luminosa protegia as campinas e os campos.


A palavra boitatá significa exatamente isto: boi=cobra, tatá=fogo. Cobra de fogo. É um animal mítico que aparece nas histórias de todo o Brasil, desde o Amazonas até o Rio Grande do Sul. Neste Estado, os gaúchos recontam até hoje a história que os indígenas foram passando de uma geração a outra. Dizem que houve grande enchente e a boiguaçu (sinônimo de boitatá) saiu de sua gruta com muita fome e começou a comer a parte que mais lhe apetecia dos animais: os olhos. Comendo tantos olhos, foi ficando cada vez mais brilhante até parecer que era feita de fogo!


Na verdade, tudo deve ter tido origem no fogo fátuo, que é uma chama que aparece quando os ossos de animais mortos começam a se decompor e entram em contato com alguma faísca ou fagulha. Os índios viam aquilo, se assustavam, não sabiam como explicar e criavam um mito.
 

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