O tempo seco tem castigado os francanos. Nas últimas semanas quem circula pela cidade vive a sensação de estar em um deserto. A baixa umidade do ar e falta de chuva provocam uma série de desconfortos. Boca seca, olhos irritados, dores de cabeça e narinas e garganta ressecadas são os principais sintomas. A qualidade do ar está crítica e apresenta índices preocupantes. Na segunda-feira, a umidade relativa do ar teve índice de 20%. No deserto, a umidade é de em média, 15%.
O meteorologista do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), Marcelo Schneider, disse que as condições do tempo são esperadas para essa época do ano, mas a sensação de mal estar é agravada pelo longo período de estiagem no município. São mais de dois meses sem chuva generalizada. Em julho choveu apenas no dia 13, mas em pontos isolados. “No mês passado choveu apenas um dia e três dias em junho. A presença de uma massa de ar seco na região central do País impede a aproximação de frentes frias e a ocorrência de chuvas na região Norte do Estado de São Paulo”, disse o meteorologia, ao explicar que é comum a presença da massa de ar no Brasil nesta época, mas neste ano a barreira que se formou está mais intensa.
A falta de chuvas contribui para a ocorrência de queimadas. Os bombeiros têm atendido de 25 a 30 ocorrências dessa natureza por dia, sem considerar as que não conseguem atender. Há situações em que recebem cinco chamadas ao mesmo tempo para controlar o fogo em locais distintos. Ontem, a comunidade precisou agir rápido até a chegada dos bombeiros para impedir que um foco incêndio na mata do Jardim Ângela Rosa provocasse uma tragédia. O bairro ficou tomado por uma nuvem de fumaça (leia mais nesta página).
Nos bairros onde o asfalto ainda não é realidade, a péssima qualidade do ar, fuligens e fumaça das queimadas somam-se à poeira infernal das ruas de terra. A cada veículo que passa, a terra vermelha se levanta. Os moradores não vencem limpar suas casas. O pedreiro aposentado Marcílio Brotifixi, 56, costuma lavar a garagem apenas uma vez por semana, mas nos meses de estiagem precisa limpar três vezes. Ele sente no bolso o aumento dos gastos. “A conta de água sempre sobe entre maio e outubro. Pago normalmente R$ 50 e sobe para R$ 70 quando o tempo está seco”, disse ele, que mora no Jardim Cambuí.
Mesmo quem não reside nos bairros sem asfalto sofre com o pó das ruas. Os pedreiros que trabalham na construção de casas no Jardim Santa Bárbara se queixam da poeira. Alguns usam máscaras para se protegerem. Eles passam dez horas por dia nas obras e pedem que a Prefeitura ajude a amenizar o problema “regando” as ruas com caminhões pipa. “O problema é a alergia, a tosse. Quando venta, vem uma poeira imensa que prejudica a mim, os amigos de trabalho e moradores. A gente vive com sintomas de gripe de ficar inalando esse pó”, disse o encanador Edson Avelar.
PROTEÇÃO
Em algumas escolas a rotina foi alterada para preservar os alunos da exposição excessiva ao tempo seco e quente e evitar desidratação. Na Escola Municipal “Fausto Alexandre Sousa Teodoro”, no Santa Bárbara, as aulas de educação física deixaram de ter exercícios mais intensos. “Hoje (ontem) optamos por ficar na sala de aula e fazer um brinquedos folclóricos com as crianças. Fizemos um pião com palito de churrasco e papel jornal”, disse a professora de educação física Carolina Polo.
PREVISÃO
Nesta quarta-feira, segundo o Inmet, a umidade deve subir um pouco e atingir 40% no período da tarde. Uma massa de ar frio e úmido no Oceano Atlântico contribui para melhorar o ar em Franca. Na quinta e sexta-feira, os índices devem diminuir novamente e ficar entre 20% e 30%.
A boa notícia é que a chegada de uma frente fria de forte intensidade deve atingir todo Estado de São Paulo, melhorar a qualidade do ar e provocar queda de temperaturas, mas não há previsão de chuva.
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