Contra a malandragem


| Tempo de leitura: 3 min

Ainda há políticos que se consideram acima da lei. Nos últimos tempos, a tecnologia vem atuando contra estes interesseiros que se preocupam apenas com o próprio bolso e os próprios interesses. No último domingo, o Fantástico, da TV Globo, mostrou vereadores que fazem turismo com o dinheiro do contribuinte, levando a reboque familiares e assessores. Vão a pontos turísticos para participar de falsos cursos dirigidos a legisladores municipais quando, na verdade, estão a passeio. No final, ainda recebem um certificado de conclusão - que os organizadores vendem por R$ 300 a quem quer que solicite. Com este documento justificam gastos que na verdade foram feitos para a sua diversão. Esta farra com o dinheiro público, que já deveria ter sido eliminada no meio político nacional, como se vê continua sem freios, sem que seus protagonistas sintam vergonha de lesar seus eleitores e continuem pedindo - e o que é pior, conseguindo - votos a cada pleito.


O que não dá para engolir é a falta de comprhomisso de muitos destes políticos (senadores, deputados, governadores, prefeitos e vereadores) para com o bem-estar do contribuinte brasileiro. E para pasmo de muitos, eles ainda continuam recebendo votos suficientes para se manterem em seus postos mandato após mandato. O eleitor brasileiro, ao que parece, acompanha de perto tudo o que acontece com aquele a quem elegeu mas, na hora de digitar o seu voto, se esquece de tudo. É como se apagasse da memória todas as falcatruas e fraudes executadas pelo seu candidato. A lei da ‘Ficha Limpa’, que surgiu como verdadeira redentora dos políticos honestos, ainda não vem produzindo efeitos práticos, uma vez que vários Tribunais Regionais Eleitorais estão liberando a candidatura dos que tinham sido barrados pela Procuradoria Regional nos respectivos Estados. Mesmo assim o eleitor já pode se pautar pela ação das PREs, que apontam candidatos condenados que não poderiam concorrer a um cargo público. Agindo desta forma, estará conseguindo levar moralidade aos ocupantes de cargos eletivos, em todos os níveis.


As eleições de outubro próximo vão servir de termômetro para que se meça com exatidão até que ponto os brasileiros passaram a examinar com mais cuidado os merecedores de seu voto. Mesmo que grande parte dos ‘fichas sujas’ ainda consiga disputar o pleito, espera-se que não se torne vitoriosa na arte de enganar e se encastele no seu cargo como uma prova de impunidade. Se a justiça não os julga, que os julguem os eleitores. O que não pode é que se perdure a conivência com a bandalheira. A situação, que se repete em todos os níveis da política brasileira, serve de alerta para os que não buscam conhecer aqueles a quem elegem e também não acompanham a atividade política de seus candidatos. É uma situação que precisa mudar, urgentemente. Do contrário, estaremos fadados a continuar financiando férias e ‘caixinhas’ de políticos desonestos e insensíveis às demandas populares por um país mais honesto, justo e sério. Uma das vantagens da democracia é isto: permitir ao eleitor refletir e buscar o aperfeiçoamento, tornando-se cada vez mais crítico e responsável na hora do voto. As urnas, em outubro, vão mostrar se estamos no caminho certo.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários