A vinte dias do início do prazo para a obrigatoriedade do uso da cadeirinha em carros, os pais ainda estão enfrentando dificuldades na hora de comprar. O aumento do preço do produto, a falta de estoque no mercado e a incompatibilidade de adaptação do cinto aos carros mais antigos são alguns dos problemas enfrentados. A partir de 1º de setembro, os motoristas que forem flagrados transportando crianças de até sete anos e meio sem a cadeirinha pagarão multa de R$ 191,54 e perderão sete pontos na CNH (Carteira Nacional de Habilitação).
A lei que obriga o uso da cadeirinha entraria em vigor no dia 9 de junho, mas por falta do produto no mercado, o Contran (Conselho Nacional de Trânsito) decidiu adiar por três meses. Os modelos variam conforme o peso e a idade da criança. A recomendação é que recém-nascidos e bebês até um ano ou o correspondente a 13 quilos sejam transportados no bebê-conforto. De nove a 25 quilos ou de um a quatro anos em média, a criança deve ser levada em cadeirinha. De quatro a sete anos e meio, o ideal é o uso de assentos. Acima desta idade até dez anos, a criança continua a viajar no banco traseiro, mas com a utilização do cinto de segurança.
Em Franca, os três meses de adiamento da lei não serviram para aumentar o estoque nas prateleira das lojas. A dona de casa Maria Silvia Oliveira, mãe de uma garota de 5 anos, está em busca de assento e há dois meses não consegue encontrar. “Além de não achar, as lojas dizem que, quando chegar, o preço será alterado em 30%”, disse.
Mesmo sem conseguir encontrar o assento, Silvia possui um carro ano 1997 que possui apenas cinto abdominal não indicado pela lei para esse tipo de assento. “Já consultei policiais de trânsito e eles disseram que não posso alterá-lo. Percebo que os fabricantes não têm facilitado e estão colocando no mercado algo inviável”, disse.
A dificuldade para conseguir os produtos também é encontrada pelas empresas que vendem as cadeirinhas. Os modelos custam a partir de R$ 159, podendo chegar a mais de R$ 540. Matias Taveira, gerente do Magazine Luiza, disse que na tarde de ontem havia apenas três modelos à pronta-entrega em sua loja, no Franca Shopping, mas que já tinha entrado em contato com os fornecedores. “Temos recebido apenas as cadeirinhas mais caras. Os fabricantes, às vezes, focam em determinado modelos, mas temos procurado achar peças mais em conta para o consumidor”, disse.
Dos quatro modelos disponíveis no mercado, o mais difícil de ser encontrado é o assento para crianças até 35 quilos que custa entre R$ 279 e R$ 399. “Tenho duas crianças de cinco anos e eles terão de ficar sem assento. Já rodei a cidade, as empresas falam que vão encomendar, mas nunca chega”, disse o pai Mauro dos Reis.
PROTEÇÃO
Apesar das reclamações sobre a adequação das normas ao uso das cadeirinhas, os pais admitem que a obrigação trará mais segurança aos filhos. O uso correto dos equipamentos de segurança no transporte de crianças nos carros pode evitar que elas, por exemplo, sejam arremessadas para o vidro dianteiro durante um acidente. A pediatra Márcia Beani ressalta que a utilização do dispositivo de segurança diminui o risco de traumatismo encefálico e de outras sequelas comuns em uma colisão. “O impacto de uma criança solta que cai sobre o vidro é até 20 vezes maior o peso dela”, disse.
Veja o quadro abaixo:
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