Acampar ao ar livre, aprender a fazer fogueiras e a identificar constelações, conhecer as várias espécies da fauna e da flora, trei-nar técnicas de primeiros socorros e participar de eventos em várias partes do País e até do mundo. Se tais atividades o deixariam animado, talvez não saiba, mas você tem um espírito “desbravador”.
Criado em 1950, nos Estados Unidos, o Clube de Desbravado-res é uma organização mantida pela Igreja Adventista do Sétimo Dia e está presente em mais de 160 países. Nos encontros sema-nais, aos domingos, sempre às 9 horas, crianças e adolescentes com idades entre 10 e 15 anos estudam a estrutura das plantas, técnicas de carpintaria e assistem a palestras sobre os mais diversos temas, como drogas, ética e cida-dania, e ainda são instruídos acer-ca dos valores cívicos. Cada técnica aprendida é denominada especialidade. As especialidades podem ser desde trabalhos ma-nuais, como bordado e ponto cruz, até conhecimentos naturais como a climatologia. Após concluir uma especialidade, o desbravador faz uma prova e, caso seja aprovado, recebe uma insígnia em uma faixa colocada sobre o seu uniforme de gala, usado em ocasiões especiais.
Sob o apoio dos chamados conselheiros, os integrantes do Clube, divididos em unidades classificadas por faixa etária, rea-lizam atividades a fim de serem preparados para os acampamentos e passeios que são feitos de três a cinco vezes ao ano. Ao completar 16 anos, o desbravador passa a fazer parte da diretoria do grupo, podendo se tornar conselheiro, secretário, capelão, padioleiro e, posteriormente, até diretor.
Em Franca, o projeto vem sendo desenvolvido há 27 anos. Os Desbravadores locais dispõem de quatro clubes ou sedes: o Clube Jaçanã, cujas reuniões são reali-zadas no Parque “Fernando Cos-ta”; o Clube Falcão da Colina, com reuniões no Centro Comuni-tário do Jardim Leporace, próximo ao Poliesportivo; o Clube Ja-guar, atualmente em período de férias; e o Clube Arcanjos, com encontros feitos na Escola Municipal “José Mário Faleiros”, no Jardim Aeroporto III.
Os eventos promovidos são vários e vão desde os Camporis - encontros regionais, nacionais ou internacionais de desbravadores, com competições entre os clubes - até os Olimporis, olimpíadas entre grupos de várias localidades. Além destes, os integrantes da organização participam dos Biva-ques, acampamentos promovidos ao ar livre, nos quais cada uni-dade faz sua própria comida e trei-na sinais de pista e métodos de defesa. Evandro de Paula, diretor do Clube Falcão da Colina, destaca que o que é ensinado durante as reuniões serve para ajudar os desbravadores a se manterem a sal-vos em situações de risco em meio à natureza.
De acordo com Cristiane Apa-recida Vieira da Silva, 25, diretora do Clube Jaçanã e desbrava-dora há oito anos, um dos objetivos do grupo é pregar respeito, organização e disciplina, com ba-se em valores cristãos. Também explicou que as turmas participam de campanhas de arrecadação de alimentos e roupas, visitam asilos e orfanatos e estão sempre prontos para ajudar em mutirões de mobilização social. O Projeto Bál-samo, por exemplo, é uma iniciativa da equipe. Por meio dele, to-dos os anos, no Dia de Finados, os desbravadores vão para os ce-mitérios da cidade, levar mensa-gens de consolo aos que perde-ram entes queridos.
Cristiane contou que uma experiência marcante para ela aconteceu em 2008, em um acampamento em Cabo Frio (RJ). “Havia mais de dez mil desbravadores e fomos fazer pente fino na praia. Deixamos tudo limpo. No último dia, cada um de nós, ficou respon-sável por copiar um trecho da Bí-blia. Copiamos todas as páginas em 10 minutos e 59 segundos, batendo o recorde mundial”, contou empolgada.
O Clube Arcanjos, do Jardim Aeroporto, conta com mais de 40 desbravadores e firmou uma par-ceria com a Secretaria do Meio Ambiente para um trabalho de pesquisa e conscientização. “As turmas tentarão mostrar à população do bairro a importância de plantar árvores e trabalharão em prol da qualidade de vida da comunidade”, explicou Paulo Afon-so da Silva, diretor do Clube.
Gilberto Antônio de Paula, 29, é desbravador há 12 anos, já foi diretor do Clube Jaçanã e hoje é conselheiro. Dedicado, disse ter muita satisfação em ver as turmas interessadas e empenhadas em um trabalho educativo que foca o crescimento físico, mental e espi-ritual. Quando conheceu o projeto, achou muito diferente e gostou de ver a união com a qual o grupo trabalhava. Hoje, pai de Felipe, de um ano, quer que o filho um dia também seja desbravador. “Sonho em vê-lo de uniforme de gala”.
Incentivado por alguns colegas, Mateus Luvizutti da Fonseca, 18, tornou-se desbravador e disse ter aprendido muito desde então. “Todo mundo deveria conhecer o clube. É ótimo! Você conhece muita gente e faz amigos para a vida toda!”.
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