Uma névoa seca de poluição encobriu o céu de Franca durante a tarde do último domingo. Causada por queimadas, a presença deste tipo de nuvem de fumaça tem se tornado constante no céu da região desde o começo do mês. Somente nestes últimos nove dias, o sistema de monitoramento de queimadas do Cptec (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos) do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) registrou em Franca e cidades vizinhas 19 focos de incêndio. O número corresponde a 22% de todos os focos detectados no Estado de São Paulo no período. Foram quase dois por dia. Os focos são pontos captados por satélites, normalmente associados a grandes queimadas.
Segundo o levantamento do Cptec, a incidência de incêndios em todo o Estado neste começo de agosto aumentou 50%, se comparado com o mesmo período do ano passado. Foram 86 focos até ontem, contra 43 em 2009. Na região, apenas em Restinga foram quatro registrados neste intervalo. Os demais ocorreram em Pedregulho, São José da Bela Vista, Batatais, São Joaquim da Barra, Ituverava, Guará, Aramina e Pedregulho.
Associadas a falta de chuva e ao aumento da produção de cana, as queimadas em canaviais são proibidas no horário das 6 às 20 horas. O descumprimento resulta em multas que variam de R$ 80 mil a R$ 160 mil e podem ser aplicadas ao arrendatário ou fazendeiro ou ainda à usina, caso ocorra a moagem da cana. “A maioria das queimadas que tem ocorrido nos limites da cidade é de responsabilidade das usinas da região de Ribeirão Preto que justificam sempre a ocorrência como acidental”, disse o superintendente regional da Cetesb, Francisco Setti.
Para ele, o número é alto e pode ser percebido com facilidade dentro das cidades e também nas estradas da região e a alegação de queimada acidental não convence. “Estamos preocupados com a poluição emitida, pois pioria a qualidade do ar, aumenta a quantidade de doenças respiratórias e traz prejuízos ao meio ambiente, pois favorece a produção de ozônio”.
No Corpo de Bombeiros de Franca, os chamados para controlar queimadas são diários. Somente na tarde de ontem, os soldados trabalharam em duas ocorrências de fogo em mata. Capitão Alexandre dos Santos diz que diariamente há até mais de cinco avisos de queimadas em terrenos ou matas ao mesmo tempo. “A população precisa ter consciência de não usar o fogo para limpeza de terrenos, fazendas ou sítios. A situação é crítica e os nossos recursos são limitados. Não temos homens e viaturas para atender todas as ocorrências”.
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