Sem filhos, idosos ficaram sozinhos em lares de caridade


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Casada por 28 anos, a dona de casa Maria Aparecida de Jesus Melo, 65, foi morar no Lar de Ofélia um mês e 15 dias depois de ficar viúva em 2005. Passados cinco anos, as visitas que recebe são de poucos amigos que cultivou no passado.
 
Com as pernas amputadas, por causa de uma trombose, ela se locomove com uma cadeira de rodas e diz que, após muito chorar, hoje está conformada com a condição em que vive. “Meu marido foi tudo para mim, mas acho que mesmo se tivesse vários filhos, netos e bisnetos também estaria aqui. Tem uma vovó aqui com dez filhos e somente um vem visitá-la. Os outros nem lembram dela”.
 
Sem filhos “porque assim Deus quis”, segundo ela, dona Cida Melo, como é conhecida no lar, enterrou todos os parentes mais próximos e diz ter apenas uma cunhada de quem perdeu o contato. “Mas cunhada também não é parente”.
 
Mais quieto, talvez por conta de sofrer com a falta da família, seu Geraldo José Bastos, no alto dos seus 89 anos, fala baixo do tempo remoto. Solteiro, não casou e nem teve filhos pois passou parte da vida cuidando dos pais. Há dez anos morando em lar de idosos, diz ter perdido os três irmãos e ficado sem notícias do sobrinho. “Trabalhei em fazenda e numa vidraria em São Paulo, quando cuidei dos meus pais e, hoje, passo os restos dos dias aqui”.

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