Caçula de uma família com sete filhos, Paulo César de Oliveira nasceu diferente dos irmãos. Portador de nanismo, ele é o único anão da família. Por conta de sua deficiência, Paulo sempre foi muito protegido pelos pais durante a infância e adolescência. Mas a proteção não foi suficiente para suprimir as dificuldades pelas quais ele passaria. Todas elas com origem no preconceito. Hoje, já adulto, com 28 anos e 1,15 metro de altura, ele enfrenta outro desafio: conseguir um emprego.
O nanismo é considerado uma deficiência física que afeta o crescimento. O problema normalmente tem causas genéticas e nem sempre é hereditário.
Em seus quase trinta anos de vida, Paulo convive a todo momento com um inimigo inseparável: o preconceito. “Durante muito tempo, principalmente quando era mais novo, sofria com o preconceito, não gostava de sair. Muitas vezes quando estou na rua, ouço coisas pejorativas e piadas de mau gosto, mas hoje em dia aprendi a ignorar quem não entende as diferenças”.
Paulo é filho de uma família humilde do Parque Vicente Leporace e, com o apoio dos pais e dos irmãos, aprendeu a superar as dificuldades.”Quando eu era criança, minha mãe morria de medo que alguém me raptasse. Eu não podia sair para comprar pão, andar de bicicleta nem fazer nada que uma criança normal faz. Quando meus irmãos saiam, eu não podia ir junto e era sempre supervisionado. Isso durou até os meus 20 anos, mais ou menos”. Devido ao medo da mãe, Paulo conta que nunca foi a um circo quando criança. “Quando tinha circo perto de casa eu não podia sair para a rua porque ela (a mãe) achava que iriam me levar”, conta.
Há quatro anos, ele perdeu a mãe e se mudou para São Paulo, com a então namorada -que também é anã - e passou a trabalhar em parques e fez figuração em programas de televisão. De volta a Franca desde o início de 2009, se tornou um dos responsáveis pelo pai, que está com 74 anos. Preocupado com o futuro, Paulo fez curso básico de informática em uma escola de Franca durante dois anos, e aperfeiçoou a técnica com o irmão. Ele tenta agora conseguir um emprego,mas ainda não conseguiu um espaço no mercado de trabalho. “Penso que a deficiência não me impede de fazer nada ou exercer qualquer função. Sou uma pessoa como outra qualquer”, diz Paulo que distribuiu currículos em bancos, usinas, lojas, mas não teve sucesso.
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