Os proprietários e comerciantes das lojinhas instaladas nas garagens dos prédios do Leporace não acordaram nada satisfeitos ontem após a confirmação da demolição, feita pela promotoria de Habitação e Urbanismo de Franca. No bairro, mais de 200 garagens que se transformaram em pontos comerciais, na última década, serão destruídas para a reurbanização do bairro, que deve começar nos próximos meses. A intenção da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo) é construir novos estacionamentos e fazer uma área de lazer no local.
Os lojistas que quiserem terão de comprar um espaço nas galerias comerciais também previstas no projeto. A notícia não agradou a maior parte dos comerciantes que trabalham no local. A dona de uma lanchonete localizada há três anos no início da Avenida Abrahão Brickmann, um dos primeiros locais que serão demolidos, Joanita Soares, disse que ainda não tem espaço definido para transferir seu ponto comercial e teme passar necessidades após a garagem ser demolida. “Não tenho condições de pagar outro local. Estou com medo, é minha única fonte de renda, meu único sustento”, disse.
O morador do Leporace, Douglas Silva, está desempregado e sobrevive apenas com os R$ 350 que recebe mensalmente por alugar sua garagem para uma financeira. “Gostaríamos de regularizar a situação, conseguirmos alvará e não demolir, todo nosso investimento está aqui e não pode acabar assim”, afirmou.
O PROJETO
Segundo o promotor de Habitação e Urbanismo, Carlos Henrique Gasparotto, a primeira etapa das obras será realizada nos prédios do conjunto Franca B5, onde estão dois blocos com 32 apartamentos. Os prédios ganharão uma nova pintura e reparos internos. Nas reformas estão previstas ainda a retirada dos alambrados e a construção de um muro vazado com grades para dar mais segurança às famílias residentes no conjunto. Os blocos terão também uma única entrada e portaria. Na área de lazer arborizada, haverá brinquedos infantis e mesas para jogos. Os estacionamentos serão descobertos, apenas com os traçados no chão e não contemplarão todos os apartamentos, conforme os conjuntos habitacionais entregues atualmente no bairro.