Audiodescrição em 'Chico Xavier' ajuda deficientes


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INCLUSÃO - Deficientes visuais assistidos pela Sociedade Francana de Instrução e Trabalho para Cegos de Franca assistiram na tarde de ontem ao filme nacional Chico Xavier com recurso audiodescrição, que detalha em áudio todas as informações veiculadas vis
INCLUSÃO - Deficientes visuais assistidos pela Sociedade Francana de Instrução e Trabalho para Cegos de Franca assistiram na tarde de ontem ao filme nacional Chico Xavier com recurso audiodescrição, que detalha em áudio todas as informações veiculadas vis

Pontualmente às 15 horas desta sexta-feira, na sala de vídeo da Sociedade Francana de Instrução e Trabalho para Cegos de Franca, cerca de 20 deficientes visuais assistidos pela entidade aguardavam ansiosos o início da sessão de cinema. Pela primeira vez, eles puderam acompanhar e, principalmente, entender um filme do começo ao fim. Em cartaz o longa nacional Chico Xavier. A iniciativa só foi possível graças ao recurso de audiodescrição, que detalha em áudio todas as informações veiculadas visualmente.

O músico Odair Moreira Matos, 40, convive com um atrofiamento do nervo óptico e não enxerga há 17 anos. A deficiência o impediu de frequentar os cinemas. No último sábado, ele participou do lançamento do filme Chico Xavier com o recurso, promovido pela Sony Pictures Home Entertainment, em São Paulo. Ele demonstra empolgação ao falar da experiência. “É muito legal. Consegui entender o filme inteiro e até me emocionei. Chico Xavier mostra como chegar à perfeição com humildade e caridade. Ele ensina o amor ao próximo”, ressalta.
 
Ao falar das barreiras que os deficientes visuais enfrentam no cinema e na televisão, Odair ainda ironiza o filme Náufrago, protagonizado por Tom Hanks, que quase não tem falas. “Li o livro O Senhor dos Aneis, mas no cinema não consegui entender nada. Já no Programa do Jô, quando ele entrevista algum estrangeiro o cego deve saber falar inglês para entender, já que o áudio fica em inglês apenas com legendas em português”, critica.
 
Aos 14 anos, Diego de Lima Ribeiro estava curioso para saber como o recurso funcionava, afinal, só foi uma vez ao cinema e quando era criança. “Eu nem me lembro. Minha mãe me chama para ver filme com ela, mas prefiro ir para o meu quarto e ouvir a rádio Difusora”, disse.
Antes da sessão especial começar, os telespectadores fizeram a festa com pipoca, biscoito, rosca e pão caseiro - feito na própria Sociedade. O interessante deste recurso é que nas cenas sem diálogos, o narrador descreve cada ação do personagem, cenário, figurino, expressões, indicação de tempo e outros elementos relevantes para a compreensão da obra.
 
“A Lei da Acessibilidade, regulamentada em 2004, estabelece normas e critérios básicos para a promoção da acessibilidade e o cinema está incluído na área da educação”, afirma Vera Lúcia Alves Taveira, assistente social da Sociedade. “O filme com audiodescrição vem efetivar a tão falada inclusão social”, completa.
 
A psicóloga Veridiana de Andrade Rodrigues, que acompanhou Odair no lançamento do filme e se empenhou para exibi-lo em Franca, acredita que o recurso é fundamental para a independência e autonomia dos deficientes visuais. “Agora eles podem assistir um filme normalmente, sem depender de outra pessoa para ficar explicando. É uma mudança de atitude que começa na sociedade”, ressalta.
 
Por isso, Vera Lúcia já sonha em expandir o projeto de cinema na cidade. “Pretendo entrar em contato com a Moviecom (empresa responsável pelo cinema de Franca) para viabilizar a exibição do filme com o recurso para todos os deficientes visuais”, revela.

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