Faltou coragem


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A vereadora e delegada Graciela David Ambrósio (PP), candidata a uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de outubro próximo, faltou à sabatina programada pelo GCN Comunicação, ontem. Candidatos à Câmara Federal e à Assembléia Legislativa, além dos principais postulantes ao Palácio dos Bandeirantes, vêm sendo sabatinados pelos jornalistas do Comércio e da Rádio Difusora. Nesta quinta-feira, Graciela não compareceu. O que se deduz, neste caso, é que a candidata não se sente à vontade para debater com jornalistas e apresentar ao público suas propostas e motivações para buscar uma vaga na Câmara dos Deputados. É inacreditável que a candidata, que se notabilizou por protagonizar embates contra uma maioria de colegas que pensa diferente na Câmara de Vereadores de Franca, sucumba diante da possibilidade de ser entrevistada por jornalistas. Graciela Ambrósio tem mostrado grande insegurança neste processo eleitoral. Desde o início, fez suspense sobre a possibilidade de embarcar na candidatura. Demorou muito para se decidir e, ao fazê-lo, ignorou os alertas que apontavam para as dificuldades que teria ao lançar uma campanha sem apoios significativos ou aliados de peso.


A candidata revelou ontem ao eleitorado uma fragilidade e falta de combatividade até agora insuspeitos. Diante do primeiro desafio real na campanha, recuou. Se há uma coisa de que político não pode ter receio é de conversar com jornalista. Graciela preferiu manter-se distante de quem só queria ouvir dela suas propostas e extrair suas opiniões sobre temas relevantes - e fundamentais - para quem deseja ser deputada. A candidata - que diz fazer a campanha do tostão contra o milhão - jogou fora ontem uma importante oportunidades para se fazer presente junto ao eleitor com custo zero: ignorou uma hora de espaço na rádio líder de audiência em Franca e região no segmento AM, num horário onde a audiência pode ultrapassar os 40 mil ouvintes por minuto; desperdiçou páginas de jornal que registrariam suas propostas; desconsiderou uma hora de espaço numa emissora de TV a cabo focada em conteúdo local e descartou a disseminação de suas idéias na internet. Sua imagem deixou de ser vista por milhares de pessoas e as suas idéias deixaram de ser analisadas por outros tantos milhares de eleitores. Quem simpatizava com a candidata e gostaria de saber sua opinião para decidir seu voto continua onde estava: hoje, como ontem, ignora a opinião de Graciela sobre assuntos fundamentais. O único fato novo é que parece claro que a candidato não é uma f’ã ardorosa do confronto de idéias.


As justificativas para sua ausência - ela diz que não concorda com a forma de convite feita aos partidos para participarem da reunião que definiu as regras da sabatina (leia mais no caderno Eleições) - são inconsistentes. Em primeiro lugar, porque há dias os repórteres do CGN Comunicação tentam confirmar a sua presença na sabatina. Em segundo lugar, porque é pouco crível que alguém que é vereadora, delegada e dispute uma vaga na Câmara dos Deputados ignore o que múltiplos veículos de comunicação divulgam há mais de um mês. Tanto a reunião com os representantes dos candidatos quanto a sabatina - e suas regras - foram amplamente noticiados não só pelo Comércio mas também pela rádio Difusora e pela Internet.


A real dimensão que a ausência de Graciela nas sabatinas terá só poderá ser medida no próximo dia 3 de outubro. O que fica nesta história é a sensação de que a Graciela faltou coragem para explicitar as razões que a levaram a ser canditada. Ou, então, teme não contar com argumentos suficientes para expor seus pontos de vista. Por hora, o que parece inequívoco é que a candidata das grandes frases de efeito na Câmara dos Vereadores parece pouco a vontade para expor suas opiniões sobre temas relevantes para os eleitores a quem, em campanha, ela pede o voto - e a confiança. Tudo muito ruim para quem precisa dezenas de milhares de eleitores para ter chance de vitória.

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