Novamente vemos um grito de desespero e um sinal de impotência: o vício de um jovem de apenas 21 anos, colocando em risco não só a integridade física de pais e irmã, mas também a sanidade deles. Para Aguinaldo Pereira Rodrigues vir a público e dizer que prefere ver o filho morto a voltar a ser ameaçado pelo rapaz é exibir uma face cruel do vício que já causou uma série de sofrimentos para a família nos últimos doze anos. Hoje, pais e irmã desistem de lutar para tirar o jovem do vício das drogas e do mundo do crime, como o mostrado em reportagem publicada pelo Comércio na edição do último domingo, 1º de agosto. As ações do jovem não estão prejudicando apenas a família. Ele ameaça comerciantes, vizinhos e quem mais pode para conseguir dinheiro e manter o vício. A sua história é como a de muitos viciados: aos 9 anos, passou a consumir maconha com a turma da escola. Hoje, está viciado em crack. E para alimentar o vício, rouba os próprios pais, moradores do bairro e qualquer pessoa que cruze a sua frente. Ele já tentou se tratar em fazendas de recuperação, mas não consegue se livrar das drogas.
É, sem dúvida, uma questão difícil, mas o fato é que o vício em crack atinge indiscriminadamente a todos. O filho de Aguinaldo nasceu e cresceu num lar estruturado, onde trabalho e honestidade andam ao lado da hombridade, como destaca seu pai. Mas em dado momento, quando sua personalidade ainda estava se firmando, encontrou um desvio perigoso e que vem solapando a base familiar na atualidade. Há notícias de repercussão nacional em que pais recorrem a atitudes ainda mais extremadas, como em Porto Alegre, onde uma mulher assassinou o próprio filho para cessar as agressões que vinha sofrendo dele por conta das drogas, no ano passado. Em abril de 2010, em Santo André, ocorrência semelhante, como tantas outras que se alternam pelo País. O desespero e a sensação de impotência tomam conta de muitas famílias.
A dependência de drogas transtorna familiares, vizinhos e todos os que cercam o viciado. A falta da droga leva a atos de desespero. Os sinais de alerta surgem aqui e ali: são pais que se sentem impotentes diante da falta de perspectiva e tentam encarcerar filhos (muitos de nove e dez anos de idade); outros que chegam a tomar medidas extremas. São histórias desesperadoras onde os personagens não encontram saídas contra o vício que cresce de forma acelerada. É uma situação calamitosa e sem uma perspectiva de melhora, pelo menos em curto prazo. Somente a perplexidade não será capaz de resolver a situação. Mas deve ser registrada e mostrada, para que se conheça a situação trágica que a droga causa no seio das famílias de bem que, de um dia para o outro, passam a viver uma situação infernal onde o que se evidencia é a falta de esperança.
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