A segurança pública é um tema que incomoda muito a população, e isso já é velho. A
novidade é que afloram cada vez mais em todo o Interior Paulista propostas de leis e ações comunitárias para enfrentar a violência. Lideranças se conscientizam de que algo pode e deve ser feito além da ação policial propriamente dita.
As soluções em discussão apontam para a expectativa de diminuição gradativa dos índices negativos. Maior envolvimento da comunidade na prevenção e medidas restritivas são algumas das saídas. Nada como quem vive na cidade para propor ações locais objetivas. Em todos os lugares, são os cidadãos os que mais sabem onde estão os focos da violência associada ao tráfico de drogas. Matérias publicadas nos últimos dias nos jornais da Rede APJ confirmam essa tendência de mobilização nas cidades. Acompanhe a seguir.
HORÁRIO DE BASES
Em Sorocaba, o prefeito Vitor Lippi (PSDB), anunciou que pretende regulamentar o horário de funcionamento de bares após as 23 horas, especialmente em regiões periféricas e com elevado índice de violência. Segundo o Cruzeiro do Sul, Lippi se reuniu com o presidente da Câmara e apesar de concordar que o projeto é polêmico, ressalta que leis nesse sentido já estão em vigor em várias cidades do Estado e do país e alcançaram resultados positivos.
POLÍCIA
Já O Vale, de S. José dos Campos, destaca que na tentativa de diminuir o índice de homicídios na região, a cúpula da Polícia Militar fechou o cerco aos bares. Por meio do setor de inteligência, a corporação mapeou os estabelecimentos suspeitos de abrigar criminosos procurados, droga e armamento em 39 municípios do Vale do Paraíba, Serra da Mantiqueira e Litoral Norte.
TOQUE
A Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Barra Bonita, na região de Bauru, receberá abaixo-assinado de 800 pessoas em apoio à instituição de “toque de recolher”. Menores de 14 anos não poderiam ficar nas ruas após as 22h. Segundo o Jornal da Cidade, a ideia partiu de duas conselheiras tutelares com intenção de evitar que adolescentes entrem para o mundo das drogas e da criminalidade. Preferem chamar de “Toque de Acolher”. Em Bauru, a medida foi defendida pela Polícia Militar, mas recebeu parecer contrário da Promotoria da Infância e da Juventude e aguarda análise da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para que, então, tenha sua implantação autorizada ou negada pelo juiz da Vara da Infância e Juventude.
COMUNIDADE
Moradores de dez bairros de Santo André criaram com a polícia um programa para tentar inibir as ações dos criminosos, segundo informa o Diário do Grande ABC. O Núcleo de Líderes Santo André (Nulsa) e o Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) deram início ao Programa Vizinhança Solidária. A ideia é que moradores em estado de alerta permanente comuniquem a polícia pelo 190 a presença de qualquer pessoa em atitude suspeita. “Com o dia a dia corrido, muitos vizinhos não se conhecem. O objetivo é resgatar a aproximação”, afirma um dos envolvidos no projeto. A ajuda da população é fundamental para a polícia, ressalta um oficial da Policia Militar. “Existem projetos semelhantes no exterior e na Capital e que se demonstram eficazes a partir da diminuição nos índices de criminalidade”.
MOBILIZAÇÃO
Essas notícias mostram um desejo latente de mobilização, o que é positivo. Ainda que leis não sejam aprovadas, a discussão serve para conscientizar pais e jovens. Mostra que a cidadania está viva, atuante. O melhor que pode acontecer aos criminosos é uma população acuada e passiva. Não se trata de impor mais violência, mas de agir com inteligência coletiva e colaboração comunitária.
BOAS NOTÍCIAS
Enquanto a sociedade toma as suas providências em relação à segurança, a polícia também é fonte de notícia positiva. Em várias regiões do Estado houve queda nos índices de criminalidade, expressos pela redução do índice de homicídios dolosos no semestre em relação ao mesmo período do ano passado. É o caso de Araraquara, Sorocaba, Mogi das Cruzes e S. José dos Campos. O contrário foi registrado em Taubaté e Limeira: aumento da violência. Cabe à Secretaria da Segurança Pública avaliar as causas das diferenças regionais e atuar fortemente para conseguir os mesmos resultados por igual no Estado. O que deu certo numa cidade, pode dar em outra.
Wilson Marini
wmarini@apj.inf.br
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