Eles têm um compromisso com a diversão, o intuito é entreter e agitar a galera. Estão nas principais baladas, escutam as melhores músicas eletrônicas e ainda recebem por isso. Ao contrário de outras profissões, o DJ tem a obrigação de bagunçar o ambiente, quietude demais é sinal de fracasso. Os “condutores da night” têm a responsabilidade de contribuir para a felicidade das pessoas, que muitas vezes vão para a balada depois de uma rotina estressante de trabalho ou estudos.
Os DJs normalmente começam a tocar muito cedo. Luan Dias, 18, diz que se tornou DJ profissional aos 16 anos. A paixão pela profissão surgiu quando começou a frequentar as festas. “Via os DJs tocando e logo descobri que era aquilo que eu queria fazer”, conta. O estilo preferido de Luan nas pistas é o House. “Toco muito em clubes e casas noturnas”.
Gustavo Alcântara, o DJ Lynkin, 22, também começou profissionalmente aos 16 anos, mas diferente de Luan, Lynkin gosta de tocar o estilo Full On, ritmo muito utilizado nas festas raves. “Trabalho mais em fazendas e chácaras, locais mais utilizados para as raves”, explica. O Full On é mais acelerado. Segundo o DJ, as músicas deste estilo têm em torno de 140 a 145 bpm (batidas por minuto) contra 120 a 130 bpm do House.
Os rendimentos deste profissional são muito variáveis. O DJ recebe por evento e é difícil prever a quantidade de festas. Mas de acordo com Carlos Poppi, o DJ Dub Recycle, 22, seu ganho mensal gira em torno de R$ 1,5 mil. Segundo Lynkin e Recycle, o cachê por festa em Franca é cerca de R$ 500 e os dois trabalham, em média, em duas festas por mês em Franca. “Também fazemos eventos em outras cidades, como já fiz em Brasília, por exemplo, o que melhora um pouco a verba”, explica Lynkin. Além de tocar, Recycle também dá aulas de DJ em seu próprio estúdio. Esta outra atividade lhe confere mais cerca de R$ 1,5 mil mensais, totalizando um bom rendimento.
Dentro da música eletrônica, o DJ não é o profissional mais valorizado. Existe também o Live Act, que não somente reproduz as músicas dos outros. Ele executa ao vivo sua própria música. “A remuneração é bem melhor, mesmo os mais iniciantes ganham entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil por hora de apresentação”, conta Lynkin. O Live Act precisa ter amplo conhecimento em produção de áudio para poder fazer seus próprios sons.
Mas nem tudo são flores nesta área. Seja pelo perfil do ambiente de trabalho (clubes, casas noturnas, chácaras) ou do trabalhador (jovem e descolado), a reclamação dos DJs é uma só: falta valorização para nossa profissão. Recycle confirma esta dificuldade. “As pessoas não reconhecem o DJ como um profissional, ainda existe um certo preconceito”, destaca.
Outro problema apontado pelo DJ é a priorização da imagem em detrimento da técnica. “O que a gente vê muito é a valorização de certos DJs que não são bons, mas que são bonitos. O pessoal, às vezes, deixa de contratar aquele que é melhor, que é mais técnico, para contratar quem tem melhor aparência. São os chamados ‘modelos DJs’”, completa.
OFICINA
O Senac de Franca disponibiliza desde 2008 a Oficina de DJs como opção de formação nesta área. O programa conta com 10 vagas e, segundo José Gregoruti Neto, coordenador técnico da área de audiovisual do Senac, restam pouquíssimas vagas para este ano.
A Oficina começa no dia 14 de setembro e vai até o dia 28 de setembro. O custo é de R$ 570 e pode ser parcelado em até quatro vezes. Os alunos terão aulas de história da música e do DJ, técnicas de mixagem, cultura e estilos musicais, elaboração de repertório, instalação e manuseio de equipamentos profissionais e materiais de trabalho, introdução à produção e sonoplastia, como montar um CD mixado, animação em casas noturnas e mercado de trabalho. As inscrições podem ser feitas pelo site www.sp.senac. br/franca. O programa tem carga horária de 40 horas e será realizado às terças e quintas-feiras, no período noturno.
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