Pai de viciado entrega os pontos: 'Prefiro ele morto'


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DESESPERO - Aguinaldo Pereira Rodrigues chora ao contar o drama enfrentando há 12 anos com o filho viciado em drogas
DESESPERO - Aguinaldo Pereira Rodrigues chora ao contar o drama enfrentando há 12 anos com o filho viciado em drogas

Aguinaldo Pereira Rodrigues, 48, é torneiro mecânico e fabricante de máquinas. Possui uma oficina nos fundos de sua casa, na Vila Aparecida. Ele estava em casa na manhã da última segunda-feira, dia 26, se preparando para mais um dia de trabalho. Tomava café com pão quando foi surpreendido pelo filho JPR, de 21 anos, o ameaçando com duas facas em seu pescoço. O rapaz ordenou que Aguinaldo liberasse as chaves da moto da irmã para ele praticar um assalto.


O episódio foi apenas mais um enfrentado pela família por causa do vício do menino em drogas. Há 12 anos os pais e a irmã de 23 convivem com o problema. Aguinaldo desistiu de lutar para tirar o filho das drogas e do mundo do crime. Entregou os pontos. Diz que prefere vê-lo morto. “É um sofrimento que não para. Ele se transformou num monstro. Prefiro ver meu filho preso ou no cemitério morto do que fazendo tudo isso (sic). Um pai falar assim é duro, mas é o que prefiro. Não tem como viver com uma pessoa que não me deixa dormir, trabalhar, agride a mãe, acha que tem o poder de tudo”.


No dia 26, o jovem assaltou uma mercearia que fica na mesma calçada de sua casa. Durante o crime, discutiu com a vítima, um comerciante de 55 anos, conhecido da família. O senhor sofreu um corte profundo no braço direito com a faca e precisou levar dez pontos. O menino fugiu, mas foi preso no mesmo dia, horas depois, porque a irmã acionou a polícia. O pai está aliviado. “Uma pessoa dessa tem que ser tratada, não pode viver em sociedade. Espero que ele fique preso porque agora a gente está vivendo, consegue dormir. Com ele perto, são 24 horas de tribulação. Estou dormindo e ele me acorda de madrugada pedindo dinheiro para comprar droga, ameaça colocar fogo na gente”.


PROBLEMAS
Essa não é a primeira vez que JPR está preso. Cumpriu pena em Serra Azul durante um ano e quatro meses, por roubo. Foi liberado neste ano e voltou a causar transtornos. O envolvimento com drogas começou quando ainda era menino. Aos 9 anos passou a consumir maconha, com a turma da escola. Está viciado em crack. Para alimentar o vício, rouba os próprios pais, além de moradores do bairro. “Ele dá trabalho no bairro inteiro, rouba de todo mundo. Quando ele chega com produto furtado, tiro foto e levo para a delegacia porque não aceito isso”.


Na estante da casa, os espaços antes ocupados pelo aparelho de DVD e de som permanecem vazios. As prateleiras da geladeira e armários, idem. Aguinaldo desistiu de estocar alimentos porque o filho rouba para trocar por drogas. Há cerca de cinco anos, a família compra marmitas para as refeições e mantém na geladeira o mínimo necessário de comida. O rapaz não roubou apenas pertences dos parentes. “Já tive muito prejuízo porque ele pegou peças das máquinas de clientes na oficina”. Brigas eram comuns entre pai e filho. A porta do banheiro continua destruída, com as marcas de chute que o jovem deu durante uma dessas discussões.


Aguinaldo tenta, mas não consegue entender onde está o problema, o erro. “Não dei esse exemplo para ele. Meu pai criou três filhos e ensinou a gente a ser honesto. Nunca peguei uma agulha do meu pai, nem minha mulher. E agora a gente passa vergonha na rua por causa do filho”, disse, chorando. O rapaz já tentou se tratar em fazendas de recuperação, mas não se livrou do vício. “Já tentei de tudo, carinho, apoio, conversa, mas ele não quer ser curado. Eu desisti. Ele cortou o braço do cara, em tempo de dar uma facada no peito dele; colocou a faca na minha garganta... Que vida é essa? Não suporto mais tanta violência dele. Peço socorro”.


Colaborou Marcos de Paula

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