Dez entre dez séries policiais norte-americanas utilizam as impressões digitais como um dos meios de identificação pessoal. Qualquer pessoa que acompanha C.S.I. ou Cold Case, por exemplo, já deve ter visto um dos personagens dos seriados colhendo impressões em portas, janelas e objetos. Nos Estados Unidos, este tipo de procedimento é extremamente eficiente. Todas as informações referentes à identificação civil estão centralizadas em um único banco de dados. Esta concentração permite que os órgãos policiais, como o FBI (a polícia federal norte-americana), identifiquem criminosos por meio da coleta de impressão, em qualquer ponto do país.
No Brasil, o sistema operacional é mais precário. O registro de identidade é estadual e, consequentemente, as informações referentes à impressão digital estão repartidas entre as unidades federativas. Não existe cruzamento de dados. “É possível um criminoso matar cinco pessoas na Bahia, por exemplo, vir para São Paulo, tirar outro RG e conseguir um nome limpo.
As suas impressões ficam no banco de dados baiano e a polícia paulista não consegue identificá-lo”, explica Gualter Hughes Ferreira, professor de medicina legal e ciência política da Faculdade de Direito de Franca.
Antônio Batuíra de Souza, papiloscopista do setor de identificação da Polícia Civil de Franca, confirma o problema brasileiro. “Do jeito que as coisas funcionam hoje, a pessoa pode ter um RG em cada Estado porque não tem uma pesquisa nacional”, destaca. Batuíra ainda relata outra dificuldade. Franca não possui laboratórios equipados para fazer a identificação. Os peritos da cidade coletam as impressões e precisam mandá-las para o Instituto “Ricardo Gumbleton Daunt”, em São Paulo, para realizar o exame.
A identificação civil é fundamental para a vida em sociedade. O principal procedimento identificatório é a papiloscopia, que é a identificação por meio das impressões digitais. Mas existem casos em que as digitais ficam indecifráveis. Gilberto Antônio Garcia é ourives há mais de 50 anos. Ele fabrica e conserta joias de ouro e prata. “Eu sempre pego peças quentes e elas acabaram queimando meus dedos ao longo do tempo. Tenho seis dedos em que não é possível identificar as digitais”, conta Gilberto, que também é locutor da Rádio Difusora.
Que as impressões digitais são usadas para identificar as pessoas, todo mundo já sabe. Mas como é feito o procedimento de identificação? As digitais queimadas podem inviabilizar a identificação do Gilberto? O professor Gualter esclarece estas e outras dúvidas no texto ao lado.
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