Em meio às turbulentas e concorridas campanhas dos candidatos, a partir das próximas semanas até outubro, um público deverá ser tratado com atenção especial. São as mulheres, que, segundo dados divulgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), compõem a maioria do eleitorado francano. Em termos gerais, do total de 218.867 votantes registrados na cidade, quase 52% (113.477) são do sexo feminino.
Predominantes em quase todas as faixas etárias listadas no estudo - com exceção dos menores de 16 anos -, elas se concentram principalmente entre os 45 e 59 anos, com mais de 28 mil eleitoras, e das faixas compreendidas entre 25 e 34 anos (25.338) e 35 aos 44 (22.988). Somados os votos das eleitoras de Franca, elas teriam força para eleger um deputado.
Ponto essencial para as estratégias de marketing dos candidatos, as mulheres podem até diferir em aspectos como escolaridade, mas sabem muito bem o que querem de seus candidatos. Ao menos entre as eleitoras entrevistadas pelo GCN, a desonestidade, seja ela escancarada pela mídia ou por boatos da vizinhança, é o quesito que, com certeza, decide um voto. Além disso, saúde pública é item que não pode passar em branco na plataforma de um candidato.
“A maioria dos políticos é corrupta. Eles só visam o bolso e o bem dos familiares”, sentencia a despachante Claudete Pereira Costa Prazeres, 44 anos. Moradora do Jardim Guanabara, com ensino médio completo e alegando ter votado em branco nas últimas eleições para presidente da República, ela não se considera das maiores conhecedoras de política. Porém sustenta opiniões firmes sobre o que espera de um candidato. “É preciso ter honestidade e perseverança em fazer o que promete”, diz, complementando que orienta seu parecer sobre os políticos através do que ouve de amigos e do que fica sabendo pela TV.
Quando questionada sobre o assunto mais relevante em uma administração política, Claudete também é certeira: saúde. “Feliz daquele que tem um convênio”, afirma, dizendo-se insatisfeita com os serviços públicos prestados atualmente à população francana.
Saúde pública também é um dos temas que mais importam para Silvana da Conceição Alves Dallaqua, 43 anos, que é nascida em Guaíra e mora em Franca faz 20 anos. Com formação superior - assim como outras cerca de 6,3 mil eleitoras de Franca, a escrevente judiciário se considera bastante antenada com os acontecimentos relacionados ao poder. Leitora assídua de jornais, revistas e sempre de olho no noticiário da TV, Silvana ainda guarda na memória escândalos como o “Mensalão”.
Para ela, um bom candidato precisa ter princípios e se pautar também pela educação. “O ensino básico é o mais importante e precisa melhorar”, comenta, criticando fortemente o sistema de educação continuada - em que os alunos não repetem de ano por apresentarem notas insatisfatórias.
Garantindo não ter qualquer pretensão de entrar para a política, Silvana se considera o tipo de eleitora que gosta de se informar para fazer suas escolhas de forma consciente. “Tudo em nossa sociedade envolve política. Não há como um país se desenvolver se não tivermos bons representantes”, conclui.
PARTICIPAÇÃO FEMININA
O diretor da Faculdade Municipal de Direito, professor Euclides Celso Berardo, que já exerceu o cargo de juiz eleitoral, não enxerga uma diferença essencial no modo como homens e mulheres encaram a política. Na análise do diretor, a maior parte do nicho feminino sofre do mesmo problema do masculino, ou seja, a falta de instrução, de senso crítico e de entusiasmo.
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