A mudança na dinâmica do Interior


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O tema da coluna anterior despertou interesse geral. Muitos se surpreenderam com o dado comparativo sobre a força econômica do Interior Paulista: algo equivalente ao PIB de um País
como o Chile, sem contar os municípios da Região Metropolitana de São Paulo. Uma pujança que confere orgulho e esperança de dias melhores, mas também desafios.

EEsse foi o mote de alguns dos e-mails enviados sobre o assunto. A infra-estrutura necessária para esse crescimento está sendo providenciada?, pergunta um empresário de Jundiaí, que aponta a existência de “gargalos” para essa expansão. Um engenheiro de Araraquara expressa a preocupação sobre os cuidados ambientais para que a população continue a desfrutar da qualidade de vida que sempre caracterizou o Interior como um todo. Os leitores têm razão. É hora de bater o bumbo e cantar a perspectiva econômica que toma conta do espírito empreendedor em todo o Estado, favorecido por investimentos externos e especialmente pelo desempenho da economia brasileira. Mas é o momento também de planejar onde e como se dará a industrialização no Estado ao longo da década que vem aí.cutiram nos negócios em todo o Estado”.

 

Aeroportos
O governo federal anunciou a esperada ampliação do aeroporto de Viracopos (Campinas), mas isso faz parte da estratégia de desafogar o tráfego aéreo da Capital, saturado com Congonhas e Cumbica, de olho na Copa de 2014. O pacote irá beneficiar também S. José dos Campos. A verdade é que a maioria dos terminais sofre os problemas de uma gestão que não se modernizou por falta de investimentos do Estado. O Daesp pretende privatizar em lotes os trinta aeroportos sob o seu guarda-chuva. Discurso oficial nesse sentido foi feito pelo ex-governador José Serra no início de mandato, mas ainda se arrasta negociação com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O setor privado não tem expectativa de que os editais nesse sentido saiam este ano. Ficarão para 2011. Enquanto isso, os aeroportos continuam sendo um pesadelo para o governo do Estado devido ao prejuízo que proporcionam. Somente os de S. José do Rio Preto, Presidente Prudente e Ribeirão Preto seriam “lucrativos”. Segundo o especialista em Gestão e Políticas Públicas Augusto Saboia, “o governo entende que os aeroportos no Interior promovem o desenvolvimento econômico regional, mas que é necessário desencadear ações visando diminuir o custo logístico de insumos e, assim, tornar o escoamento de produtos industrializados de alta tecnologia ainda mais eficiente”. Para isso, segundo ele, é preciso investir em infra-estrutura que possibilite duplicar a participação do modal aeroviário no transporte de cargas. O caminho está apontado.


Sinal de alerta
A visão bucólica do Interior desaparece na proporção em que aumenta o consumo e a circulação de veículos. A Cetesb monitora a concentração do gás ozônio, indicativo da qualidade do ar, nas maiores cidades. Entre 2007 e 2009, Sorocaba e entorno registraram níveis altos que superaram o índice máximo tolerável estabelecido pela legislação. Em cinco anos, a frota cresceu 45% na cidade. Poluição de indústrias e queimadas são outros fatores. É preciso desde já pensar em formas de compensação das emissões. Esta semana, o promotor da Cidadania de Rio Preto sugeriu à prefeitura a implantação de rodízio de veículos na cidade para diminuir o congestionamento na região central da cidade. O trânsito é cada vez mais complicado nas cidades do Interior. O debate apenas começou. As regiões que planejam realmente expandir a sua economia terão que discutir a sustentabilidade dos projetos.


Governo
No contexto do papel a ser exercido no futuro pelo Interior Paulista na economia paulista, caberá rever também a logística da máquina da administração estadual. O Palácio dos Bandeirantes concentra um conjunto de funções que se mostra cada vez menos funcional diante das necessidades de gestão neste século 21. Se fosse uma empresa multinacional, já teria revisto o modelo. O governador e assessores diretos ficam distantes fisicamente de secretarias importantes, como a Segurança Pública e Educação, centralizadas em prédios espalhados pelo velho Centro. O Interior, então, é visto como algo distante, uma viagem de excursão. O espírito bandeirante precisa avançar para o Interior. Paulo Maluf, quando governador, teve a ideia do “governo itinerante”, que não vingou. Dos atuais candidatos, Paulo Skaf acena com a criação de “governadorias” regionais, com mais autonomia para aplicação dos recursos. É uma antevisão do que pensam lideranças do empresariado. O governo precisa se adaptar aos tempos. Na Fiesp, fora da política, o presidente em exercício, João Guilherme Sabino Ometto, chamou a atenção semana passada publicamente para a importância do Interior na economia do País. Seja quem for o eleito ao governo do Estado, a excessiva concentração das atividades de governo no Morumbi e região da Sé, na Capital, não é saudável nem mesmo aos interesses da Região Metropolitana de São Paulo. É preciso ouvir mais os anseios do Interior e estar mais presente em sua dinâmica.

 

Wilson Marini
wmarini@apj.inf.br

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