O relatório divulgado na última sexta-feira pela ONU (Organização das Nações Unidas) diz que o Brasil é o sétimo país do mundo onde ocorre maior desigualdade entre ricos e pobres. E é o terceiro da América Latina, tendo à sua frente, como mais “desiguais”, apenas o Haiti e a Bolívia.
Trata-se de um humilhante retrato da nação que detém a oitava economia do mundo. Demonstra que esse descomunal volume de recursos serve a poucos e não socorre o grosso da população que morre por causas banais e em função da negligência oficial.
Os números apurados rebaixam o Brasil de posição no conceito internacional e expõe a grande ferida nacional. As múltiplas mudanças sociais a que estivemos expostos no último século, todas justificadas como necessárias para melhorar as condições de vida do cidadão e de sua família, ainda não produziram resultados eficazes.
Temos um país rico, abrigo de grandes corporações públicas e privadas, mas essa grande geração econômica não tem sido capaz de acabar com a fome, a falta de educação e a carência de saúde do povo.
A chegada de Lula ao poder, oito anos atrás, criou a esperança de que com sua origem humilde, o novo governante trabalharia para reduzir a pobreza. E deve ter trabalhado! Mas isso não é obra para um homem só e nem para um ou dois períodos de governo.
O problema que se acumulou por toda a história exige medidas estruturais de alto nível e de execução continuada. Não basta apenas a distribuição de cestas básicas ou de bolsas, ou a fixação de cotas para vulneráveis. Isso são ações imediatas, que devem atender apenas um momento e logo serem substituídas por providências definitivas.
Promover a melhora da qualidade de vida e da renda da população não é, necessariamente, sinônimo de tirar do rico e dar para o pobre. Há que se fortalecer a economia para que, com bons índices de produtividade, dela se possa tirar salário, educação e seguridade social à população.
A primeira parte da lição já foi cumprida. A economia mostra-se vigorosa. A união de esforços do empresariado competente com o governo interessado em dar-lhe condições de trabalho mantém a produção nacional em alta, até mesmo nos momentos de tormenta internacional, como a grande crise 2008-2009.
Mas é preciso agora se debruçar sobre a distribuição de renda, a saúde e a educação. No dia em que conseguirmos, além de ter a oitava economia do mundo, fazê-la chegar realmente ao povo, poderemos nos orgulhar de, finalmente, termos construído uma grande e próspera nação. Antes disso só nos cabe lamentar o estado de injustiça social em que somos, todos, obrigados a viver...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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