Desta vez, a bancada governista soube articular nos bastidores e esperou os vereadores atrasados chegarem para apresentar um projeto em regime de urgência. Em dia de casa cheia com esportistas fazendo pressão no plenário, os vereadores recuaram da postura adotada há uma semana e aprovaram, por unanimidade, a proposta que autoriza o município que repassa R$ 1,1 milhão para a Feac (Fundação Esporte Arte e Cultura).
Os recursos serão usados para o atendimento e pagamento de competidores inscritos no Projeto Bolsa Atleta e na manutenção de convênios com a Liga Francana Amadora de Futebol e com o Internacional Esporte Clube. A autorização havia sido rejeitada na reunião passada por causa da ausência de três vereadores e pela postura contrária do bloco de oposição.
Ontem, assessores seguraram a votação do projeto até que todos os aliados de Sidnei Rocha (PSDB) estivessem no plenário. Cerca de 100 atletas lotaram o recinto da Câmara para defender a aprovação. Seguravam cartazes pedindo apoio ao esporte e vaiavam sempre que alguém fazia algum comentário contrário. A oposição tentou, em vão, derrubar a urgência.
O projeto, que havia recebido apenas oito adesões na semana passada, obteve o sim dos 15 vereadores. Os atletas comemoraram como uma vitória. Antes mesmo da votação, Jépy Pereira (PSDB) foi à tribuna e tripudiou dos vereadores que mudaram de opinião, segundo ele, por causa da pressão dos esportistas. “Faltou coerência à oposição. Acho que a presença dos atletas inibiu os corajosos colegas. Na semana passada, eles meterem o pau no projeto e votaram contra. Agora, sem que houvesse qualquer alteração, eles mudaram de opinião”.
Como justificativa para a mudança de opinião, Silas Cuba (PT) citou uma decisão judicial, ainda não cumprida, que deverá atender reivindicação da Comissão Especial de Inquérito instalada para investigar desvio de recursos no setor de esporte do município. “Na semana passada, eu não tive acesso à prestação de contas da Feac referente ao ano de 2009. Agora, conseguimos uma mandado de segurança para ver os números. Por isto, decidimos votar sim”.
Vanderlei Tristão (PTB), outro que mudou de voto, disse que o não da semana passada teria sido estratégico. “Foi uma forma de chamar a atenção da opinião pública para a falta de transparência na direção da Feac”.
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