Em meu pensamento travou-se polêmico embate na escolha do titulo a dar ao que o leitor vai ler a seguir. Como o título carrega percentual muito grande de apelo para a mensagem, o titubeante invadiu minha decisão. Entre muitas ideias, sobraram, “preto” e “vermelho”. O preto a sintetizar luto e dor, o vermelho a mostrar cenas de sangue com o esvair de vidas tão preciosas.
Este Comércio, em triste balanço, registrou em sua primeira página, 28 óbitos de condutores de motos, só neste ano. Elevada média de 4 mortes ao mês não oferece ao cidadão normal condições de análise quaisquer. Por que ainda tão jovens, procuram a morte? Por que ignoram os perigos de seus cavalos mecânicos passando por sobre pessoas, costurando veículos nas ruas, invadindo traseiras de caminhões sem distinguir o vermelho dos faróis controladores de trânsito? Por que matar, por que morrer deixando tanta gente infeliz? Por que não respeitar as regras bem definidas pelo código de trânsito do País?
Ilustre motoqueiro, seu tresloucar pelas ruas e avenidas faz detectar em seu comportamento um esquecimento triste e malfadado de um sagrado ensinamento: “amai-vos uns aos outros”. Como pode alguém amar ao próximo cultuando negligência de amor a si próprio?
Aos pilotos de motocicleta cabe com urgência uma reflexão sobre as muitas pessoas que estão chorando a perda de um motoqueiro querido, motivada pela inconsequência de alguns segundos ou prática contumaz de seus delírios assassinos. Sua pressa não justifica extermínio de vidas das suas vítimas cabendo lembrar que seu risco é maior e sua segurança menor. Ao proteger-se com amor ao corpo e vida, demonstrará amor à família, botando em lugar de lágrimas, risos e alegria.
É momento de concitar a família, a doce mãe, o tolerante pai, o amigo avô, os irmãos, a se juntarem em processo mantenedor de vidas, incitando em comoção seus próximos envolvidos no trânsito impiedoso que tanto vem matando. O rubor de minha face aflora quando sinto vergastada minha honra, meu espírito, a formação recebida em um passado onde um fio de bigode era símbolo de verdade, de ética, compromisso.
O respeito que o mundo novo esqueceu vergasta cruelmente a honra nacional. As lideranças dos poderes passam exemplos nefastos à sociedade que entende corretos ensinamentos aloprados, grupo que inclui o criador da expressão para transferir culpa.
Charles de Montesquieu (1689/1755) filósofo, político (iluminista), aprofundou-se na tripartição do poder, formula inspirada em Aristóteles e discutida por Sócrates para dar maior justiça as decisões em defesa dos direitos.
Os três poderes adotados se agridem no Brasil invadindo áreas alheias, retrocesso criminoso assistindo direito a um prisioneiro condenado, com outros processos em andamento, de registrar candidatura a caminho da impunidade. A justiça eleitoral precisa explicar por que não alcança a ficha de Selmo Santos, uma das maiores fortunas declaradas entre candidatos à Câmara Federal.
Garcia Netto
Jornalista
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