Cruzada em favor da saúde


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A intenção das Secretarias de Educação e de Saúde de Franca de instituir, pelo menos nas escolas municipais, medidas que estimulem hábitos de alimentação saudáveis nos estudantes, é uma mostra de que o poder público tem condições de dar respostas rápidas aos problemas detectados em sua área de atuação. A busca da reeducação alimentar é a primeira medida que se pretende tomar depois que um levantamento nos estabelecimentos mantidos pela Prefeitura demonstrou que 15% dos estudantes entre 7 e 10 anos de idade estão acima do peso. Oxalá não fique apenas no anúncio. Ao que se sabe, desde 2007 tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei instituindo um cardápio saudável para a merenda escolar. Além disso, o governo do Estado tentou proibir a venda de refrigerantes, salgadinhos industrializados ou fritos e guloseimas à base de açúcar nas cantinas escolares, sem sucesso. Algumas escolas particulares instituíram o cardápio saudável e estão conseguindo modificar os hábitos alimentares dos estudantes.


Em Franca, a proposta em estudo consiste em fazer uma reeducação alimentar das crianças e oferecer frutas, salgados assados, sucos e lanches naturais no lugar dos chicletes, balas, pirulitos, refrigerantes, bolachas e chocolates. Diversas reuniões e um diagnóstico de cada unidade estão em andamento, examinando a fundo o funcionamento destas cantinas. A pesquisa cuidadosa deve ficar pronta até a próxima semana e será decisiva para a elaboração das mudanças no cardápio e do manual de orientação para diretores, professores, pais e alunos. A ideia é que a alteração seja colocada em prática até setembro nas 74 unidades escolares de ensino infantil e fundamental, afetando 17 mil estudantes que têm entre quatro e dez anos de idade.


Esta é a resposta que a comunidade espera dos órgãos públicos: rápida e eficaz. Porém, a municipalidade precisa ampliar este projeto às famílias dos estudantes, para que os bons hábitos alimentares sejam estimulados também em casa. A obesidade infantil vem se tornando motivo de grande preocupação para as autoridades médicas, por conta dos inúmeros problemas relacionados ao excesso de peso que estão acometendo crianças, como colesterol alto, diabetes, hipertensão e até sérios problemas cardíacos. Por isso, não basta apenas a cantina da escola ser proibida de oferecer guloseimas altamente calóricas e prejudiciais. É necessário que a família do aluno também seja conscientizada sistematicamente (e não apenas com um folheto explicativo) de que frituras, açúcar, sal em excesso e outros componentes têm que ser abolidos do cardápio de todos, para que tenhamos uma geração menos obesa e mais saudável. Não adianta restringir na escola e o cardápio proibido ser mantido em casa ou então vendido no entorno dos estabelecimentos de ensino. O trabalho é mais amplo e deve ser estendido a alunos e familiares. Quem sabe não surja daí uma ampla campanha em favor da saúde?

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