A escola do diálogo


| Tempo de leitura: 4 min

Educadores do ensino superior de todo o Brasil discutiram dia destes, em programa de TV, sobre as divergências entre o que está nos projetos pedagógicos das instituições de ensino superior e a forma ‘comercial’ que a educação é ministrada na prática.

O assunto é muito importante e relevante, frente aos sacrifícios e dificuldades com que as famílias se defrontam para manter seus filhos em cursos superiores, na expectativa de que tenham um futuro melhor. Na realidade, depois de formados, verificam que a preparação acadêmica foi insuficiente para que colocarem-se no mercado de trabalho. Essa foi a conclusão do debate que assisti.


O ensino atual necessita de evolução. E uma falha está na falta de diálogo. As aulas se tornaram monólogos. As vezes o que parece ser diálogo - duas pessoas conversando - trata-se apenas de discurso unilateral, onde um dos dois impõe seus pensamentos e ideias.


Dialogar pressupõe saber ouvir, analisar sem pré-julgar. O diálogo, como muitos pensam ,não perdeu importância no ensino, mesmo com a modernização que deriva de blogs, twiter etc. Mas tem sido desprezado pelas instituições de ensino superior, com fundamento na crença que dialogar não combina com modernidade.


Nas cidades-estados gregas da antiguidade, havia um espaço destinado exclusivamente à prática do diálogo, chamado ‘Ágora’. Nele eram colocadas livremente as idéias em geral.


Na realidade prática se faz necessária a busca de tais habilidade durante o convívio acadêmico e ofertar aos estudantes um conjunto de estudos com o intuito de provê-los de habilidades que lhes permitirão exercitar suas futuras profissões com o padrão mínimo exigido pelo mercado.


As universidades têm que se adequar para, no mínimo, ofertar disciplinas, mesmo que extracurriculares, que tenham como finalidade preparar para a comunicação, ensinando-os a lidar com a palavra, com a lógica na construção de suas frases, com a retórica na arte de bem falar para externar ideias com eficiência etc.


Enfim, o jovem estará habilitado a viver em sociedade quando souber organizar suas ideias; quando tiver habilidade para expô-las e explicá-las e por fim, quando tiver a capacidade de ouvir os outros.

 

NOVAMENTE SURPREENDIDOS
Em um país onde se diz que a inflação está controlada é um absurdo ver a prática de taxas que variam entre 10 e 15% ao mês, por parte das operadoras de cartões de crédito para aqueles que parcelam suas compras. Agora, acabamos de ser surpreendidos com mais uma: “a partir de agosto de 2010, compras de valor superior a R$ 600 serão tarifadas em 1,99% sobre o valor. Abaixo do valor, mantém-se a gratuidade”. Em síntese: quando o cliente aceita e faz seu cartão, informa-se que a gratuidade é total e não haverá quaisquer cobranças. Um adicional de 1,99% sobre o valor à vista é absurdo. Não é sobre parcelamento. É sobre valor à vista! O governo precisa, com urgência, regulamentar as operações com cartões de crédito. As operadoras continuam fazendo o que querem. Coisas do Brasil!!!


PROIBIÇÃO DE PALMADAS
Em razão de comentário feito por leitor deste Comércio sobre texto que escrevemos na semana passada, esclarecemos que não somos, de forma alguma, favoráveis à violência contra as crianças. Mas o que não se discute é a permanência da violência contra as crianças abandonadas. Os maus tratos contra crianças não se dão apenas fisicamente, e sim, também pelo abandono, pela discriminação, quando se rouba os sonhos de um futuro melhor desta criança. O seu futuro também cai por terra quando o Estado não lhe oferta uma boa escola, acreditando que apenas destinando um prédio ruim o ensino estará garantido. As construções escolares de hoje são horríveis. A propósito, o arquiteto que projeta tais escolas padrões deveria frequentá-las em período de chuvas, ventos e poeira. O Estado também não remunera adequadamente os profissionais de ensino. Enfim, a questão do maltrato às crianças é tema complexo e, em nossa opinião, não pode se resumir a um projeto, mas sim aceitar que há o maltrato de crianças pelo abandono, sem lar, que ficam nas ruas sujeitas à droga e à prostituição, ou o abandono de crianças que até não estão na rua, até vão a uma escola, mas não uma escola que possa prepará-las para uma vida melhor em sociedade. Por isso, as leis precisam avançar.


INSEGURANÇA NOS SHOPPINGS
Até algum tempo nos sentíamos seguros para passear e comprar em shopping. Porém com a onda de assaltos quase cinematográficos em shoppings, principalmente em lojas que comercializam jóias, a segurança que parecia existir, comprova-se que não há. É com tristeza que vemos seguranças particulares nas lojas. As desagradáveis portas-giratórias com detectores de metais que já existem nos bancos, com certeza e em breve, deverão ser adotadas nos shoppings. É esperar para ver!

 

Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário -

toninhomenezes@comerciodafranca.com.br

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários