A cremação de cadáveres, ao contrário dos ocidentais, é prática costumeira dos povos do Oriente após um certo tempo do desenlace.
Algumas tribos da América também a adotam especialmente nos casos de falecimento de chefes e de pajés. No Brasil, por decisão voluntária, algumas pessoas, antes de falecerem, optam pela cremação do próprio cadáver.
A Doutrina Espírita nos ensina que estamos temporariamente encarnados e o corpo físico, enquanto vivo, é a representação de um ente composto de três partes: o espírito, que é a essência, o ser pensante; o perispírito, que é o intermediário entre o corpo físico e o Espírito; e o corpo físico. O que é definitivo, imortal, é o espírito, que antecede e sobrevive ao corpo.
No ato da reencarnação o Espírito, com o perispírito que o recobre, absorve do laboratório infinito da Natureza os fluidos que animarão a vida na matéria. É o que chamamos de fluido vital.
Quando da desencarnação, que equivale dizer sair da carne, este fluido vital permanece integrado ao perispírito do recém desencarnado por um tempo que varia de indivíduo para indivíduo.
Esta quantidade de fluido, que também varia de acordo com a forma pela qual o indivíduo desencarnou, confere ao ser que retornou ao plano espiritual uma sensibilidade material para as emoções, sentimentos, dores.
É um reflexo da materialidade recém abandonada. Ensinam os Espíritos Superiores que este fluido vital será reabsorvido pelo laboratório da Natureza após algum tempo que, como já dissemos, varia de indivíduo para indivíduo, assim como variam as circunstâncias desencarnatórias.
É por isso que a tradição cultural, intuitivamente, estabeleceu um velório de aproximadamente vinte e quatro horas para o sepultamento.
Assim, se houver a imediata cremação do cadáver após o velório, pode ocorrer que espíritos muito ligados ao corpo do qual se viram desligados, sintam todo o reflexo da cremação, num sofrimento indescritível.
Por isso, o Espiritismo aconselha que a cremação do cadáver ocorra após tempo mais prolongado de, no mínimo setenta e duas horas, prazo indispensável ao total desligamento do Espírito e a devida reabsorção do fluido vital pela Natureza.
Bem a propósito, eis o que diz Emmanuel, no livro Caminhos de Volta, psicografia de Chico Xavier, capítulo 3: ‘... Fácil observar, em vista disso, que o período de espera, no espaço razoável de setenta e duas horas, entre enrijecimento do corpo físico e a cremação respectiva, é tempo válido para a generalidade de todos aqueles que se encontram em trânsito de uma vida para a outra’.
Concluindo, o Espiritismo não condena a cremação. Orienta que se aguarde um tempo maior para efetivá-la.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Idefran (Instituto de Divulgação Espírita de Franca)
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.