“O brilho de uma paixão”


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“Recortou um pedacinho do céu, grudou no peito”
Luiz Cruz de Oliveira

 

Hoje, 24 de julho, deve ser aniversário de alguém, um nenê chegou ao mundo de madrugada ou mesmo neste instante. Pode ter um casamento à tarde, ou comemoração de uma boda, mais tristemente pode ser que alguém se despediu deste “vale de lágrimas”, ou então (felizes de nós) alguém acabou de escrever um poema, este recém-nascido que pode abrir a percepção de uma humanidade inteira.

Na nossa terrinha, guardaremos uma comemoração importante. Um grupo de amigos, de escritores que acompanham um homem há um bocado de tempo, décadas, resolveu homenagear o que vive homenageando qualquer pessoa que empunhe a caneta, o lápis, dedilhe o computador, comece a esboçar uma pintura em palavras.

Professor Luiz Cruz de Oliveira, este que tem poder de síntese, que encurta conversas, encurta textos, irrequieto romântico, pensador resistente, persistente, que carrega a palavra poética a quem queira, possa, a quem ainda não reconheça o valor, o poder que ela tem, este é o homenageado.

Neste sábado, no curso “Ave, Palavra!”, situado na R. Campos Salles, na saída do campus da Unesp, vamos encontrá-lo, o dia todo (e domingo também) para uma prosa com direito a cafezinho na cozinha, poemas na sala, rodeados de seus livros antigos, e mais um outro recém-nascido. Saudaremos a re-edição do seu primeiro livro, escrito há 40 anos.

Ele, que promove tantas gentes, conhece “de coração” a História da Literatura Francana, vai gostar de ver seus livros saindo dali, debaixo de outros braços, ao sabor dos abraços de amigos e de quem goste de ler e acompanhar o que ele faz em Franca.

Seus versos estarão brilhando no seu peito, olhe bem! Visíveis a quem bote reparo neste menino de olhinhos cansados de ler a vida, com pernas de maratonista de longos percursos por veredas pavimentadas de palavras, que canta e se desencanta com as glórias e misérias humanas.

Verá, se tiver olhos de ver, por trás da camiseta vermelha, do tênis surrado, da eterna calça jeans, que este homem não envelhece. Detrás da máscara forjada pelo Tempo (este que a ninguém poupa), verá a alegria que emerge no entremeio do trágico da vida, suspeitará da aparente frieza que abranda o ardor vulcânico da Paixão maior, o pífio disfarce para a melancolia que sustenta suas poéticas reflexões.

Olhe ainda mais fundo e verá o Heitor a defender nobremente a sua Tróia, capaz de morrer por ela, a dar sangue e letras para sua cidadela se manter, eterna e mítica, seu pedacinho de céu, que cintila o vermelho infinito de sua abrasada alma de menino.

O céu vermelho deste homem estará ao alcance de todos neste fim de semana, e depois, ao longo da semana, a exposição da sua vida e obra.

Com gosto de café e com a cadente música de uma aconchegante prosa, o enorme afeto de Cruz ao que é eterno e imortal, este cirandeiro. Vamos todos com ele cirandar!
 
 
Maria Luiza Salomão
Psicanalista e Psicóloga

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