Antes de tudo, ele é meu amigo. Hoje é dia de homenageá-lo e todos vão falar dos seus vinte e tantos livros publicados, da sua competência de professor, da sua brilhante história literária... E vão falar muito mais, pois ele merece todos os nossos aplausos.
Mas eu quero falar do amigo. Daquele que conheci e que sempre, sempre mesmo, me tratou com carinho e afeto. Ele nunca mudou comigo, em nenhum momento, nem quando concordamos ou discordamos. É sempre o abraço carinhoso ou a voz alegre no telefone que me recebem. E nossa história é bem antiga... Foi ele que começou a ler meus primeiros textos publicados nos jornais. Foi ele que leu meu primeiro conto e mandou todos os seus comentários, por carta, de Brasília, pois nessa época ele lá estava residindo por motivo de trabalho. Foi ele que ajudou a elaborar o Caderno Literário que eu sonhei produzir e publicar no jornal. Foram apenas dois exemplares, mas ele esteve comigo nas duas edições, me acompanhando e me apresentando à querida Dona Evelina Gramani Gomes que concordou que eu a entrevistasse. Luiz Cruz estava também comigo quando fui entrevistar o saudoso professor Dr. Alfredo Palermo. E ele opinou na elaboração e correção das entrevistas e sugeriu idéias sobre o conteúdo do caderno.
Gosto muito do Luiz Cruz. E não pensem que é um amor por gratidão, já que ele muito me ajudou. Não. Gosto porque admiro o professor que vive intenso e presente em todas as suas aulas e em todas as suas falas. Gosto do seu jeito verdadeiro de ser. Nunca diz nada só para agradar. Diz sempre o que pensa e é fiel aos seus princípios. Quantos de nós nos tornamos escritores porque ele nos disse o que era bom e o que era ruim nos nossos textos. E quantos, imagino eu, deixaram de lado a escrita porque também foram alertados pelo Cruz que era melhor que fizessem outra coisa, pois não tinham talento para “a coisa”. Gosto de sua pontualidade. Do seu compromisso para com a palavra escrita. Gosto do seu jeito de ser amigo que se manifesta de várias formas e, uma das que eu muito admiro, é o reconhecimento fraterno e sua fiel amizade ao grande poeta Carlos Assumpção. Gosto da sua modéstia, embora não concorde que ele tenha feito uma obra importantíssima Esboço de História da Literatura Francana, fruto de uma pesquisa insana, e não ter se incluído, fato que acredito ter ficado o livro sem verdade histórica. Proponho uma nova edição com a inclusão da obra do autor, pois Franca não teria essa história literária, não fosse o Luiz Cruz. Gosto do seu jeito de declamar poesia e não nego que invejo sua memória brilhante. Gosto de sua preocupação social, ensinando sem ganhar, carregando tijolos e cimento para construir centros comunitários e gosto quando ele escreve para denunciar. Gosto do ideal que brilha sem parar em Luiz Cruz. Gosto do Cruz que acredita, antes de tudo, no ser humano, e isso se revela continuamente nos seus textos. Gosto muito do Luiz Cruz escritor. Esse me fascina, principalmente em seus momentos líricos, e isso eu já lhe disse várias vezes.
Gosto muito do Cruz porque, como eu, ele nasceu em Cássia. Temos a mesma identidade: somos mineiros. No entanto, nós dois também temos um lado do coração que é francano.
Sinto-me orgulhosa por ter esse amigo. Sinto-me segura por poder contar com ele. Sinto-me alegre, pois também sei que ele gosta de mim.
Falando de Luiz... o que falar além da inteireza que nele se faz presente?
E agora... falando para Luiz: desejo que nossa caminhada se alongue por muito tempo ainda... que possamos trocar sempre muitas idéias e muitos abraços... que possamos, juntos, continuar tecendo novas palavras, nutridos por esse mistério que se chama literatura.
Jane Mahalem do Amaral
da Academia Francana de Letras
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