Sem tempo a perder


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Essa semana, o jornal Valor Econômico trouxe duas notícias interessantes que exemplificam e quantificam o atual crescimento econômico do Brasil. Uma trata do aumento da imigração de trabalhadores estrangeiros qualificados no Brasil e a outra fala do recorde batido no aumento do emprego formal no País.


São duas notícias aparentemente separadas, mas que é possível estabelecer duas ligações interessantes entre elas. Começando pelo aumento dos empregos formais no Brasil, verificamos que o País, finalmente, caminha para sua ‘legalização’ e, realmente, não existe palavra mais apropriada para esse fato. Conforme o IBGE, entre 2004 e junho de 2010, 9,5 milhões de empregos foram formalizados.


Na medida em que a perspectiva econômica de crescimento se mantém positiva há um incentivo para a legalização dos vínculos de trabalho e, assim, passamos a quantificar e qualificar a realidade desse universo. Técnicos consultados pelo jornal apontam os seguintes fatores como estimuladores dessa formalização no mercado de trabalho: o crescimento econômico mais forte e sustentável ao longo do tempo dando confiança para novos e maiores investimentos na produção, a criação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa (Supersimples), em 2007, que reduziu o custo da relação de trabalho formal e o aumento da oferta de crédito na economia nacional.


Quanto ao aumento de trabalhadores estrangeiros qualificados no Brasil, vemos uma inversão do fluxo histórico brasileiro de exportar profissionais qualificados para outros mercados. Conforme a Coordenação Geral de Imigração do Ministério do Trabalho, nos últimos cinco anos cerca de 180 mil estrangeiros receberam visto de trabalho no Brasil. O mais significativo é que, só no primeiro trimestre desse ano, foram 11.530 vistos e, destes, 60% para profissionais com diploma universitário, mestrado, doutorado e PHD. A vantagem desse perfil dos trabalhadores estrangeiros que estão chegando é quanto à possibilidade de transferência de tecnologia para o setor produtivo brasileiro. Essa mão de obra está sendo direcionada para setores que estão recebendo grandes investimentos, nacionais e estrangeiros, e que dependem de transferência de conhecimento técnico.


Assim, a primeira relação existente entre essas duas importantes notícias é a de que o País está, realmente, acelerado no seu desenvolvimento econômico e social. A segunda merece uma análise mais aprofundada e que leve a um planejamento estratégico e situacional para resolver um problema ainda localizado, mas que poderá ser um enorme obstáculo para o crescimento contínuo do Brasil: a falta de mão de obra qualificada e de uma política pública maciçamente voltada para a educação profissionalizante dos nossos jovens.


Não temos tempo a perder e muito menos podemos desperdiçar esforços humanos e recursos financeiros com a repetição de cursos não necessários. Está na hora de Franca pensar nisso. Chega de cursos para sapateiro e para costureira.


Precisamos de cursos em outras áreas técnicas para, ai sim, atrair empresas de tecnologia e garantir nossa participação no seleto mercado da indústria avançada que está chegando.

 

Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário

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