Faltam números e clareza


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Gerou polêmica a proposta que altera a lei sobre o estacionamento na Área Azul - propondo a criação e venda de cartões de 30 minutos, junto com os atuais de 60 e 90 minutos. A Esac (Escola de Aprendizagem e Cidadania), responsável pela gestão da Área Azul, não concorda com a medida e alega que vai ser prejudicada, mas não apresentou elementos suficientes para que se sustente a tese do prejuízo. Ao passo que o benefício para os motoristas é claro: os cartões de 30 minutos vão beneficiar aqueles que usam a Área Azul por menos de meia hora. Atualmente, estes têm que comprar cartões de uma hora e acabam saindo prejudicados. Utilizando como argumento o trabalho realizado pela Esac (cursos gratuitos para 810 alunos por ano, além dos funcionários pagos pela entidade), o seu presidente, Marinho da Conceição Procópio, defende a não implantação do cartão com tempo menor de estacionamento. Pela lógica, os cartões de 30 minutos aumentariam o rodízio de veículos e não haveria problemas de queda de receitas. Para derrubar esse argumento, é necessário comprovar que a tese de prejuízo à entidade é real.


Os vereadores acabaram por adiar a discussão para o dia 10 de agosto. Pode ser até uma medida prudente, mas se esse tempo ganho não for utilizado para realmente se esclarecer a questão, de nada adiantou. Afinal, a medida vem sendo reivindicada há muito pelos motoristas que utilizam a Área Azul. Agora que a discussão chega a esse nível, a entidade se opõe, mas não vem a público abrir as contas da Área Azul na cidade, mostrar os números e provar de que forma a receita vai cair os alegados 40%. O único dado disponibilizado até o momento revela que a área central tem 700 vagas. Numa conta simplista, seria possível dizer que, por dia, a Área Azul de Franca arrecada hipotéticos R$ 8,4 mil (R$ 192 mil por mês). Mas são só suposições.


A argumentação da Esac tem que ser clara e fundamentada em números para que não se incorra num erro que poderá evitar uma medida que beneficiaria milhares de motoristas de Franca. Do jeito que está, a Esac também perde receita com os cartões de 60 ou 90 minutos, pois há motoristas que preferem estacionamentos particulares no centro da cidade para deixarem seus carros, ao abrigo do sol e pagando R$ 1,00 por meia hora (o cartão de 60 minutos custa R$ 1,50).
Enquanto a Esac não trouxer os números que envolvem a Área Azul para o exame dos vereadores e todos os interessados nesta discussão, não há como corroborar a sua tese. Há várias constatações que se interpõem ao argumento da entidade. Não há aqui a intenção de desqualificar o trabalho meritório que a Esac desenvolve ao longo de quatro décadas em benefício da juventude francana. O que se contesta são os argumentos usados para tentar impedir a criação de um cartão de estacionamento de 30 minutos. Há que se comprovar, com números, a tese da entidade antes de se desconsiderar os novos tempos para estacionamento.

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