Ao ouvir críticas sobre a qualidade do atendimento médico social na Inglaterra, duvidei. Não tinham cabimento nem a frieza, nem a falta de envolvimento afetivo no diálogo e no contato paciente e profissional.
As idealizações começaram a desmoronar quando acompanhei uma sobrinha ao hospital em que fazia tratamento de glaucoma.Salão acarpetado de vinte por dez metros, calculo. Mesas simetricamente colocadas ao redor com uma cadeira atrás, duas na frente. Computador; cesta de lixo; mesinha de apoio com aparelhagem, outra com instrumentos cirúrgicos. Em alguns dos espaços, uma maca. Nenhuma vedação a demarcar limites. Como todas as mesas estavam ocupadas, os procedimentos eram simultâneos: havia pessoas se consultando, outras recebendo curativos, crianças berrando, aos montes.
Depois foi o parto da minha filha que durou trinta e seis horas. Assistido por profissionais de saúde (não médicos), foi realizado num espaço coletivo, dividido com outras parturientes. Após, foi encaminhada a um box separado por cortinas. Dispunha de cama, armário, cadeira e ficaria sozinha. O toalete também coletivo, por respeito, recuso-me a descrever. Claro, não é o hospital onde Victoria Beckham teve os filhos. Depois que o bebê nasceu, acompanhei os dois à clínica do bairro para os procedimentos de praxe: medir, pesar, dar vacinas, receber instruções. Era inverno, muito frio, ficamos esperando na sala coletiva, junto com pessoas idosas tossindo, crianças com nariz escorrendo, pacientes com todo tipo de problema, alguns visivelmente alterados pela dor. Entramos na sala de atendimento. Não era pediatra, o crachá informava nome e posição: Enfermeira Cathy. Usava luvas e pediu para descobrir o bumbum da criança de vinte e poucos dias. Sem encostar nela, sem fazer a assepsia local, pegou a seringa sobre a mesa e injetou-lhe o líquido. Foi um berro só, sincronizados, o do menino e o meu.
Essas experiências se materializam toda vez que encontro fortuitamente - ou procuro na minha cidade - um médico habitual ou mesmo desconhecido. Nessas ocasiões comparo os sistemas sociais de atendimento e tenho oportunidade de, mesmo sem verbalizar, enviar a cada um deles o sinal ou a mensagem muda de carinho, de respeito e agradecimento pela consideração que me devotam, e à minha família como um todo. Seguindo a evolução natural, das gerações mais velhas restaram poucos membros e nós, os remanescentes, sentimos que iremos precisar cada vez mais de cuidados especiais. A geração mais nova carece disso para se desenvolver: tem mais saúde, mas sempre pinta uma bronquite aqui, um probleminha de pulmão ali, uma infecção acolá, as sequelas de um tombaço: menino vive batendo a cabeça.
Compreensivelmente, o atendimento médico brasileiro em geral, o francano especificamente, não tem a característica de intimidade de trinta anos atrás, mas está longe de ser parecido com o inglês. Num passado recente, em termos de afetividade, ficou parecido. Há relatos de prepotência, arrogância e distanciamento. Hoje, felizmente, o saldo é de quase totalidade de profissionais humanos que se dão o direito de descansar, de trabalhar seguindo escala e plantões bem definidos, mas que voltaram a atender telefone, falar com os pacientes e parentes, escutar-nos, fornecer informações detalhadas sem o pedantismo das expressões que leigos não entendem. Não são possibilidades excludentes, mas não saberia apontar efeito mais curador: se o atendimento caloroso do médico ou as drogas sabiamente bem aplicadas. Nós, os pacientes, até podemos dizer aos nossos médicos que ‘não precisamos mais deles’ após crise ou momentos de fragilidade e dor. A mensagem subliminar contradiz essa descortesia verbal: eles nos são absolutamente imprescindíveis e diariamente lembrados, pois se tornaram cúmplices do nosso bem-estar e recuperação da saúde. (Pobres ingleses!...).
TESTE
Quais países só venceram a Copa jogando em casa? Qual o único país sul-americano onde o Brasil foi campeão? Quais países sediaram a Copa de 2002, única com dois anfitriões? Que país o Brasil mais enfrentou em Copas do Mundo? Qual o país com mais vice-campeonatos? Qual país marcou o gol mais rápido em Copas do Mundo? Em que país ocorreu a primeira Copa do Mundo de futebol?
RESPOSTAS
Somente quando jogaram em casa, Inglaterra e França levantaram a taça. Em terras sul-americanas, apenas no Chile o Brasil foi campeão. Coréia do Sul e Japão sediaram a Copa de 2002. Suécia é a resposta para a quarta questão. A Alemanha é a campeã de vice-campeonatos. A Turquia marcou o mais rápido gol em Copas do Mundo. O Uruguai sediou a primeira Copa de Futebol. Questões de palavras cruzadas que ‘matei’ porque fui respondendo as vizinhas e inferi as respostas.
BRINCADEIRA
1985: a ficção científica De Volta para o Futuro consagrou Michael J. Fox/Marty McFly, adolescente que acidentalmente volta no tempo. Pilotando um De Lorean DMC-12 e instruído por Emmett Brown (Christofer Lloyd), cientista - só aparentemente - maluco, ele retorna aos anos 50 e encontra seus futuros pais. (Os livros de J.J. Benitez, Operação Cavalo de Tróia, reacendiam a discussão sobre a possibilidade de viagens no tempo.) No segundo filme McFly marca no painel do carrão a data de chegada dos protagonistas ao futuro: 21 de outubro de 2015. Semana passada os fãs da saga divulgaram pela Internet uma montagem onde o painel do De Lorean marca 6 de julho de 2010, o que enganou muita gente.
Lúcia Helena Maniglia Brigagão
Jornalista, publicitária e membro da Academia Francana de Letras - luciahelena@comerciodafranca.com.br
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