150 pessoas esperam na fila por prótese em Franca


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MUDANÇA DE VIDA - José Carlos Rodrigues sofreu acidente de moto em 2008 e teve que amputar parte da perna direita. Ele ganhou uma prótese, mas o aparelho não serve mais. Agora ele espera ajuda do Estado
MUDANÇA DE VIDA - José Carlos Rodrigues sofreu acidente de moto em 2008 e teve que amputar parte da perna direita. Ele ganhou uma prótese, mas o aparelho não serve mais. Agora ele espera ajuda do Estado

Somente nos seis primeiros meses deste ano, 150 pessoas de Franca e região recorreram ao poder público com a esperança de ter mais qualidade de vida. São pacientes que nasceram com alguma deficiência, sofreram acidente de trânsito ou no trabalho e vivem mutilados. Para reconquistarem certa independência ou melhorar a parte estética, precisam de próteses, mas os aparelhos custam caro e a grande maioria não tem condições de comprá-los. Em loja especializada em Franca, o preço médio da prótese de meia perna é R$ 4 mil. É neste momento que entra o apoio do governo. O Estado fornece os equipamentos, mas a demanda é alta e a espera pode durar anos.


Os 150 pacientes da região que solicitaram próteses ao governo estadual estão na fila e não há previsão de quando serão atendidos. José Carlos Rodrigues espera ajuda do governo há um ano. Está com 43 anos e sonha conseguir uma prótese para a perna direita para voltar a andar e a trabalhar. A vontade dele é retomar a venda de doces, como fazia antes de sofrer um acidente de moto em março de 2008. José Carlos  foi atingido por um veículo que não respeitou o pare. Com o impacto, o pé direito dele ficou dilacerado. A amputação foi inevitável.


Há dois anos e cinco meses, José Carlos tenta se adaptar à nova rotina. Ele perdeu metade da perna direita e depende de uma cadeira de rodas para se deslocar. No ano passado, depois de pedir ajuda, ganhou de um empresário uma prótese, mas como emagreceu, não consegue mais usar o aparelho. “O coto (parte onde a perna foi amputada) emagreceu e a prótese fica bamba. Se usar, causa ferimentos na pele. Poderia comprar um encaixe para ajustar melhor, mas custa R$ 2 mil e não tenho como pagar”.


Antes de sofrer o acidente, José Carlos trabalhava com costura manual de sapatos e, à noite, vendia doces. Lucrava até R$ 2,5 mil por mês. Após a cirurgia de amputação, deixou os dois empregos e sua mulher pediu demissão para poder lhe dar assistência. O casal sobrevive com auxílio de R$ 510 pagos pelo governo e que são usados nas despesas fixas, alimentação e combustível do carro - que é adaptado para ele dirigir. A venda dos doces melhoraria a renda. “Dependo da prótese para a perna para voltar a andar, estudar e trabalhar. Com as muletas e cadeira de rodas, uso muito as mãos e não tem como trabalhar com os doces. Até sonho que estou andando”, disse. Ele fez orçamento de uma nova prótese e os valores variam de R$ 2,8 mil a R$ 13 mil.


BALANÇO
O serviço de solicitação de próteses para usuários de 22 cidades da região é centralizado na DRS-8. É preciso ter indicação médica  e ser encaminhado, por intermédio do NGA-16 (Núcleo de Gestão Assistencial), para o Centro de Reabilitação Lucy Montoro, em Ribeirão Preto. Segundo o secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, em dezembro de 2009, a Prefeitura encaminhou lista com 500 pacientes que estavam à espera de próteses para serem avaliados pela equipe do Estado. “Algumas dessas  pessoas estavam na fila havia cinco anos, desde 2004. Em torno de cem já foram atendidas. Outras não tinham indicação de uso ou já haviam conseguido”.


O secretário disse não ter comparativo para avaliar se a demanda em Franca é alta. Mas, para se ter ideia da necessidade, por dia, pelo menos uma pessoa amputada procura a Adefi (Associação dos Deficientes Físicos) para pedir informações sobre meios de conseguir próteses. “São vítimas de acidentes que perderam parte do corpo e precisam da prótese. É mais comum recebermos homens, entre 19 e 35 anos”, disse a assistente social Marcella Inocêncio.

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