Pelo menos cinco igrejas evangélicas, de diferentes denominações, de Patrocínio Paulista, estão em pé de guerra com a Prefeitura da cidade. O motivo é o rígido controle que a administração municipal tem feito nos templos por conta de reclamações de perturbação de sossego e da falta de alvará de funcionamento. As igrejas, segundo a prefeitura, estão infringindo a lei federal que limita em 50 decibéis a altura do som em eventos públicos e religiosos, o que tem incomodado os vizinhos. Por conta do imbróglio, que já dura um ano, os pastores têm comandado os cultos sem uso de instrumentos musicais e até estão deixando de usar o microfone.
O pastor Júlio César Moncef, da Comunidade Evangélica Primeiro Amor, diz que, nos últimos dez meses, teve a igreja lacrada três vezes. “Atualmente, ela está aberta com liminar da Justiça, mas para isto precisamos fechar as janelas com isopor e cobrir o teto com um tecido para evitar a propagação do som. A fim de não incomodar a vizinhança”, disse. O pastor também cancelou o uso de microfone em três das cinco reuniões semanais, colocou de escanteio o teclado e violão e até providenciou a venda da bateria da igreja. “Queremos nos adequar às leis. Gastei R$ 2 mil para isolar a igreja e agora espero por uma nova medição do som, mas ela ainda não aconteceu”, disse o pastor Júlio, que também é presidente do Conselho de Pastores do município.
Na Comunidade Evangélica Adonai, do pastor Carlos de Andrade, tijolos foram usados do lado externo do templo para vedar o som das janelas e toda a parede interna foi forrada com espuma casca de ovo. “Os nossos cultos estão sendo prejudicados, pois usamos os instrumentos para adorar o Senhor. A falta dos cantos tira a ênfase do evangelho. Nós, evangélicos, gostamos de expressar aquilo que sentimos através do louvor, da alegria”, disse o pastor.
Também como forma de evitar novos problemas, os pastores acordaram que nenhum culto na cidade ultrapassará as 21h30 e tomaram como defesa uma lei municipal, sancionada pelo prefeito José Mauro Barcelos (PT), em maio deste ano, que permite a emissão de som das igrejas da cidade em até 80 decibéis. Segundo o pastor Júlio, o ruído que sai das igrejas está abaixo deste limite estipulado, mas ainda assim elas continuam sendo perseguidas e não conseguem o alvará de funcionamento. Procurado, o prefeito de Patrocínio contesta e diz que as igrejas da cidade colecionam uma série de irregularidades e estariam trazendo desconforto sonoro aos moradores vizinhos de onde estão instaladas.
Estima-se que em Patrocínio Paulista haja em torno de 15 igrejas evangélicas em operação, a maioria funcionando em salões ou estabelecimentos comerciais alugados ao lado de residências. “O barulho é infernal. Na hora da reunião deles (evangélicos) preciso aumentar o volume da televisão, caso contrário não escuto”, disse um morador vizinho de uma igreja evangélica que pediu para não ser identificado.
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