No Brasil, a rede de atendimento a crianças e idosos sempre teve que pedir socorro para se manter. A falta de auxílio mais efetivo do poder público ameaça a existência de lares e orfanatos. Não fossem os voluntários e abnegados, os problemas sociais seriam bem maiores no contexto atual, onde o poder público não consegue atingir todas as camadas de carentes: além de crianças e idosos, deficientes e viciados em drogas também contam com uma assistência que, em tese, os governos federal, estadual e municipal teriam que suprir. Mas isso não acontece. As entidades surgem e lutam para manter pelo menos um teto e alimentação adequada para seus assistidos.
De acordo com a Prefeitura Municipal, Franca, com seus 342 mil habitantes, conta com cem entidades assistenciais registradas e todas elas enfrentam sérias dificuldades para sobreviver. A subvenção do município chega a apenas metade delas - o poder público repassa anualmente R$ 3 milhões a todas. Por isso, mesmo recebendo verba do município, o dinheiro que entra não é suficiente para cobrir as despesas.
De acordo com reportagem do Comércio no último domingo, o Lar de Idosos “Eurípedes Barsanulfo” gasta R$ 1,1 mil/mês com cada um dos 19 idosos que abriga - a subvenção da Prefeitura é de R$ 5 mil mensais -, enquanto o governo do Estado repassa irrisórios R$ 976 mensalmente. Ao mesmo tempo, o Estado de São Paulo despende por volta de R$ 1,5 mil por presidiário no mesmo período. E o governo federal gasta perto de R$ 5 mil ao mês por detento dos presídios de segurança máxima. É uma disparidade vergonhosa, quando se sabe que a maioria dos assistidos pelos lares de idosos e crianças nem recebe benefício previdenciário como pensão ou aposentadoria. Já os presidiários contam até com o auxílio-reclusão pago aos familiares pela Previdência Social.
Trata-se de um sistema perverso e excludente, onde a assistência à criança e ao idoso torna-se uma atividade de risco, já que os seus responsáveis não teriam outra opção a não ser fechar as portas e colocar os internos na rua caso os que suprem as necessidades financeiras da creche ou do lar, por algum motivo, se virem impossibilitados de dar sequência à ajuda. Os programas do governo federal contemplam a camada mais pobre da população, mas deixam de lado outra grande parcela de brasileiros que também precisam. Para muitos governantes - e ninguém se engane quanto a isso -, só tem valor o que se transforma em voto. Ou seja: crianças, velhos e deficientes não votam e não elegem ninguém. Já passou da hora de todos exigirem um compromisso de seus representantes, com mandatos em todos os níveis, para a sobrevivência destas entidades. Caso elas não existissem, com certeza os problemas sociais brasileiros seriam muitas vezes maiores do que atualmente são.
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