Sem vício não há tráfico


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O número de processos por tráfico e porte de drogas em Franca aumentou nos últimos seis anos. O Ministério Público Estadual ofereceu 196 denúncias por venda de entorpecentes em 2004 e 518, quase o triplo, no ano passado. Segundo o promotor criminal Joaquim Rodrigues Rezende, mais pessoas podem ter praticado o crime, pois o mesmo processo costuma conter mais de um envolvido. Para o delegado da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes), Pedro Dallacqua, o aumento dos casos se deve à intensificação dos trabalhos das Polícias Civil e Militar no combate às drogas e ao maior consumo de entorpecentes na cidade. Esta é uma triste realidade que não atinge apenas as cidades grandes como Franca. O tráfico e consumo de drogas também crescem em municípios menores e, aparentemente, ninguém está imune. O consumo de drogas explode ainda quando se trata do crack, que assume contornos de epidemia e vem viciando cada vez mais crianças - meninos e meninas. Há casos de garotos de 8, 9 ou 10 anos já completamente escravos da substância derivada da cocaína, conforme os meios de comunicação do País divulgam praticamente todos os dias. Quando se fala em tráfico, estes pequenos viciados são utilizados como uma espécie de “proteção” aos grandes traficantes, que assim se livram de uma condenação. Mesmo assim, o levantamento realizado pela Justiça mostra ainda que a maioria dos envolvidos é homem, jovem, com idade entre 18 e 30 anos, embora o número de mulheres responsáveis pela distribuição das drogas ilícitas entre os usuários tenha aumentado nos últimos anos.


A Justiça destaca que a questão financeira é um dos grandes atrativos para envolvimento com o tráfico, já que decorre da busca do dinheiro fácil. O trabalho honesto, em troca de um salário mensal, torna-se sem interesse aos jovens que veem no tráfico um acesso fácil ao dinheiro necessário para seus sonhos de consumo, como tênis e roupas de grife e aparelhos eletroeletrônicos, além de ser uma forma de exercer liderança na comunidade em que vivem. Em que pese os esforços das autoridades no sentido de coibir o tráfico de entorpecentes, o combate às drogas passa por uma rede de assistência ao viciado que só agora o governo federal tenta criar. A falta de investimento em centros de reabilitação, que hoje sobrevivem por conta das doações de empresários e de promoções realizadas pelas entidades - promovendo a venda de pizzas, feijoadas, almoços e bazares - é um fato. A dificuldade de se encontrar atualmente centros de internação suficientes para a reabilitação do viciado também é um fator complicador. Somente com o ataque frontal ao vício é que o golpe poderá ser bastante profundo na célula do tráfico. O crime organizado precisa ainda ser combatido de fora para dentro, tentando impedir o acesso dos traficantes não só às drogas mas também ao consumidor. Assim, poder-se-ia começar de forma efetiva a repressão às drogas em nosso País.

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