O investigador Nilson Aparecido Ruela de Oliveira foi demitido da Polícia Civil. A decisão foi publicada na edição de sábado do Diário Oficial do Estado. Há dois anos, o policial foi preso pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial para a Prevenção e Repressão ao Crime Organizado) e passou 64 dias na cadeia acusado de cobrar propina para não fazer apreensões de CDs e DVDs piratas e para avisar com antecedência os comerciantes sobre operações de combate à pirataria. A medida tomada pela Secretaria de Segurança Pública diverge de decisão judicial que o absolveu das acusações por falta de provas. A defesa vai recorrer da demissão.
A exclusão de Nilson Ruela dos quadros da Polícia Civil é mais um capítulo da confusa ocorrência iniciada no dia 11 de junho de 2008, quando ele foi flagrado por promotores do Gaeco e por homens à paisana do serviço reservado da PM portando um pacote com dinheiro no estacionamento de um posto de gasolina da Avenida Hélio Palermo.
O investigador tentou fugir da abordagem e foi perseguido por cerca de dez minutos até ser detido na Alonso y Alonso. Em seu carro, foram apreendidos R$ 2,5 mil. De acordo com a promotoria, o dinheiro seria resultado de propina recebida dos camelôs. Ruela conseguiu comprovar, posteriormente, que o valor era proveniente de empréstimo.
O investigador ficou preso por dois meses no presídio da Polícia Civil em São Paulo. Em abril do ano passado, o juiz da 1ª Vara Criminal de Franca, Luciano Franchi Lemes, absolveu o policial por falta de provas. Os promotores do Gaeco recorreram ao Tribunal de Justiça, mas a decisão de primeira instância foi mantida.
Mesmo com a decisão judicial, o processo administrativo instaurado na Corregedoria da Polícia Civil continuou correndo e os advogados de Nilson acreditavam que uma decisão interna pela inocência seria tendência natural.A expectativa da defesa foi frustrada e o Estado decidiu pela demissão do investigador a bem do serviço público.
O advogado Reginaldo Carvalho classificou a pena imposta ao seu cliente como um ato abusivo e arbitrário. “A fundamentação adotada pelo governo do Estado para mandar o Nilson embora precisaria, necessariamente, que tivesse uma decisão criminal contra ele. Como o Nilson foi absolvido no processo criminal, não tem fundamento nenhum que ele receba esta punição. Vamos recursar com pedido de indenização de danos morais, materiais e de tudo o que ele vier a perder daqui para a frente”.
Na mesmo ato publicado sábado, a Secretaria de Segurança Pública também demitiu o carcereiro Valdir Antônio Coutinho, lotado na Delegacia Seccional de Franca e que atuava em Batatais. O delegado corregedor, Luiz Carlos de Almeida Souza, disse que não se recorda do motivo para a demissão.
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