‘O consumo tem crescido em todas as faixas etárias’


| Tempo de leitura: 3 min
FÁCIL ACESSO - O delegado da Dise, Pedro Luiz Dallacqua, disse que o consumo e tráfico de entorpecentes pelos jovens aumentou nos últimos anos
FÁCIL ACESSO - O delegado da Dise, Pedro Luiz Dallacqua, disse que o consumo e tráfico de entorpecentes pelos jovens aumentou nos últimos anos

Para Pedro Luiz Dallacqua, delegado da Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes), o problema de drogas em Franca se tornou uma epidemia e precisa ser combatido. A expectativa é aumentar a média de uma prisão por dia de traficantes de entorpecentes na cidade para amenizar a situação. A preocupação maior é com o crescente envolvimento de jovens em crimes relacionados a drogas.


Comércio da Franca - Como o senhor avalia o aumento do tráfico e uso de drogas?
Pedro Dallacqua -
Avalio em decorrência de um trabalho muito mais amplo da polícia, principalmente da Dise porque com vários segmentos de investigação, utilizando dados do setor de inteligência, conseguimos prender vários traficantes. E contamos também com a ajuda da Polícia Militar, que tem feito o combate no dia-a-dia ao tráfico, enquanto a Dise fica mais responsável pelos combates às quadrilhas maiores de traficantes.
 

Comércio - Além de ter intensificado o trabalho da polícia, o senhor acredita que o consumo e o tráfico também cresceram?
Pedro-
Infelizmente sim. O consumo tem crescido em todas as faixas etárias, mas principalmente entre a juventude. E o que é pior, tem crescido o consumo de drogas pesadas como o crack, que causa uma dependência bem maior e mais rápida.
 

Comércio - O senhor credita esse aumento do consumo a quê?
Pedro -
As pessoas sempre procuram a droga por curiosidade, começando com a maconha, mas acabam passando rapidamente para as mais pesadas. E um fator também que no nosso entendimento foi determinante para o aumento é a nova lei que praticamente não estabelece punição ao usuário de droga, visto que não estabelece pena privativa de liberdade, apenas uma advertência, o que está gerando uma sensação total de impunidade entre os usuários de entorpecentes.
 

Comércio - Qual é o perfil desses usuários?
Pedro -
Maioria jovens, homens, de bairros da periferia. Mas não descartamos os usuários do sexo feminino, também jovens, tanto da periferia quanto de camadas sociais mais altas da comunidade. A faixa etária mais comum é entre 13 e 20 anos.
 

Comércio - Os flagrantes de tráfico são diários?
Pedro -
Diariamente. Todos os dias temos ocorrências de porte ou de tráfico de drogas. De porte são normalmente duas, três ocorrências por dia e uma de tráfico.
 

Comércio - Que prejuízos isso gera aos envolvidos direta e indiretamente?
Pedro -
Primeiramente o usuário gera prejuízos a ele mesmo e à família, visto que ele não consegue mais produzir. Depois ele começa a praticar furtos dentro da própria residência e na vizinhança para manter o vício. Além dele não produzir, não gerar nenhuma riqueza para a sociedade, ele acaba se encostando no sistema público de saúde, que gera uma demanda grande ao SUS, visto que em virtude da dependência, ele adquire outras doenças, inclusive mentais. Quase que a totalidade do número de furtos e roubos é em decorrência do uso de drogas.
 

Comércio - A média de uma prisão por dia de traficantes, como em 2009, se mantém?
Pedro -
Sim. O nosso objetivo é aumentar essa média de mais de uma prisão por dia, visto que nosso trabalho de combate ao tráfico é incessante. Nós queremos combater cada vez mais o tráfico e prender mais gente. Quem se arriscar a traficar drogas fica ciente de que o combate será diuturno e teremos, com certeza, mais sucesso na prisão desses elementos.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários