Acolher sempre


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Este é o domingo da hospitalidade. Jesus está caminhando para Jerusalém e no caminho encontra com duas discípulas, Marta e Maria, que de maneira diferente oferecem-lhe hospitalidade.

Em cada dia da nossa vida somos acolhidos por Deus e aprendemos dele o sentido de acolher com o coração aberto. Acolher é sinal de fidelidade ao mandamento novo, sem fronteiras. O saudoso Cardeal Aloísio Lorscheider, dizia: “Acolher é evangelizar”. As leituras da missa deste domingo são: Gênesis 18, 1-10 a ; Colossenses 14, 2 a 5; Lucas 10, 38-42.


Na primeira leitura meditamos sobre o gesto de acolhida de Abraão a três viajantes e sua generosidade e humildade em recebê-los em sua tenda. Oferece-lhes água para aliviarem os pés do pó do caminho e alimento para refazerem as forças. O texto sagrado fala de uma recompensa imediata (um filho na velhice) que lhe é anunciada pelos misteriosos peregrinos. Por fim se revelam como o próprio Deus.


A lição de Jesus aperfeiçoa esse costume da antiguidade e a amplia. Quem vos recebe a mim recebe... e todo aquele que der ainda que seja somente um copo de água fresca a um destes pequeninos... não perderá sua recompensa.


Na segunda leitura São Paulo continua ensinando que Cristo nos reconciliou com seu Pai, morrendo na cruz. Paulo, prisioneiro, considera que seu sofrimento dentro do Corpo Místico de Cristo também era salvador.


Todas as nossas ações são em prol da Igreja. Se forem boas, engrandeceremos a todos os batizados, se forem más, prejudicaremos a todos os nossos irmãos. Prova concreta desta realidade é o conselho de Jesus: “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, rezai pelos que vos maltratam e perseguem”. E para que orar pelos inimigos? Porque através do Corpo Místico de Cristo, os atingimos. Não por mérito nosso, mas pela força do sangue de nosso Senhor, Jesus Cristo.


No evangelho Jesus se encontra na casa de Marta e Maria. Marta recebeu-o em sua casa e Maria escolheu a melhor parte. Aqui a hospitalidade de Maria e Marta se torna mais explícita pois ambas acreditavam na divindade de Jesus. Portanto, estavam conscientes de estarem acolhendo o próprio Deus.


A diferença, porém, está no fato de Jesus aceitar o convite de duas mulheres para tomarem a refeição juntos. Naquele tempo, segundo a cultura judaica, era inconveniente que um homem aceitasse a hospitalidade de uma mulher. Mais revolucionário ainda era um rabino (Jesus) receber mulheres entre seus discípulos!


Para se ter uma idéia, vários anos depois de Cristo, Paulo ainda deixou escrito: “é inconveniente para uma mulher falar na assembléia”. Maria escutava a palavra de Jesus. Não ficava em longas orações, mas acolhia e aplicava a si os ensinamentos da Palavra de Deus, sem o que aquelas práticas de oração de nada adiantariam!


Daí conseguimos aprender: Deus nos acolhe, nós acolhemos Deus. A iniciativa é sempre dele que nos ama primeiro. Nós acolhemos Cristo e ele nos acolhe como discípulos e discípulas. Os exemplos de Marta e Maria, e de Abraão, nos convidam à reflexão, à retomada de nossas opções. Chamam-nos ao equilíbrio e a viver, com prazer, cada momento. Deus nos convida a concentrar nossos pensamentos e preocupações naquilo que é essencial. O nosso exame de consciência deve nos ajudar a rever a importância que damos à palavra de Jesus em nossa vida. É sempre necessário dedicar um tempo para sentar-se aos pés de Jesus e ouvir profundamente sua palavra, deixando-a ressoar a fim de que possa ser transformada em amor ao próximo.


Pela palavra de Deus aprendemos que a hospitalidade é a capacidade de abertura e acolhimento ao que vem de fora, ao estranho, ao novo. A hospitalidade torna-se um desafio num mundo como o nosso, no qual, cada vez mais, predominam o medo, o isolamento, a privacidade.


Um outro fator que dificulta a hospitalidade é a correria provocada pelo excesso de trabalho, de ocupações que nos absorvem, não deixando tempo para o outro. Durante toda a nossa vida Deus vem a nós e se revela como um necessitado, um viajante. Fiquemos atentos para acolhê-lo e nunca desprezá-lo.

 

PASTORAL DA ACOLHIDA
A Igreja Católica tem procurado “acolher” as pessoas, os fiéis que dela se aproximam. Já faz algum tempo que existe a “Pastoral da Acolhida”. Esta pastoral tem um largo leque de ação. Se é “pastoral” significa que ela age em sintonia com o coração de Jesus que revelou o coração de Deus Pai, rico em amor e misericórdia para com todos. Eis alguns modos de realizar essa pastoral.

Atendimento Paroquial – Os secretários e secretárias das paróquias constituem a “porta de acolhimento” da Igreja, daquela paróquia. O certo é possuírem um semblante agradável e não sisudo como as vezes demonstram. Devem possuir um tom de voz agradável, acolhedor e não agressivo. Não devem discriminar e vivificar a paciência (inclusive são remunerados para tudo isso) e até a roupa deve ser cuidada, bem como o cabelo e as unhas. Ah! A mesa do escritório deve estar sempre organizada para revelar que os que ali trabalham são organizados. Na Pastoral da Acolhida reina a educação, pois, saber acolher é questão de educação.

Plantão de atendimento – Na porta de igrejas apresenta sempre a presença de alguém (homem e mulher) que acolhe, com um sorriso, aquele que chega. Sua missão é revelar que, como as portas do templo, o coração de Deus está aberto e é acolhedor. Essa pastoral acolhe os visitantes, os fiéis, mostra detalhes da Igreja, ajuda a distribuir folhetos para os que chegam para as celebrações. Sempre acolhem com um sorriso respeitoso.

Busca dos afastados – Como o bom pastor que procura a ovelha perdida, essa pastoral deve ir ao encontro dos que estão ausentes e num convite alegre expressar a alegria de quem volta a dar o próprio testemunho, de quem se sente feliz participando, lembrando o que Jesus disse: “eu vim para que todos tenham vida plena”.

 

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

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