Cerol que mata


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Em menos de um mês, dois casos envolvendo crianças e jovens que insistem em brincar de pipa usando cerol — mistura de cola e vidro utilizada na linha para cortar outras pipas — foi divulgado pelo Comércio da Franca. Além de um alerta, o fato aponta para a necessidade de conscientizar pais e responsáveis para o perigo da brincadeira que pode levar suas vítimas (normalmente motoqueiros e ciclistas) à morte. E torna-se ainda mais preocupante ao se ouvir crianças e jovens afirmarem conhecer os perigos a que estão expondo outras pessoas, preferindo ignorá-los já que ‘todo mundo usa’. Com as férias escolares, então, o risco aumenta muito e quem não conta com as famosas ‘antenas’ em suas motos está exposto a uma arma cortante e invisível. Casos de mortes por conta desta infeliz prática tem sido registrados mas nem por isso o cerol foi abandonado.


O cerol é proibido em todo o Estado de São Paulo. Quem for flagrado usando a mistura paga multa. Se for menor, será conduzido pela polícia até a delegacia para registro de boletim de ocorrência e só será liberado com a presença dos pais ou responsáveis. Para quem não sabe, desde outubro de 2009 já está em vigor, depois de aprovada pela Câmara Municipal de Franca e sancionada pelo prefeito, projeto de lei que prevê a aplicação de multas aos responsáveis por menores que forem flagrados soltando pipas com cerol. A penalidade mínima está estipulada em R$ 1,7 mil. Nos últimos casos registrados na cidade, ao que se sabe, a penalidade não foi aplicada. A última vítima foi vendedor Reginaldo Messias, 37, residente no Jardim Portinari, que na terça-feira passada teve o queixo, o pescoço e o dedo indicador da mão esquerda cortados por uma linha com o produto quando seguia com sua moto pela Rodovia Cândido Portinari, sentido pontilhão da Vila São Sebastião ao Jardim Guanabara. O capacete e as alças de queixo evitaram que a linha atingisse sua jugular, o que seria morte certa.


Percebe-se, porém, a resistência de pais e responsáveis em orientar e proibir os filhos de produzirem o cerol, que torna a linha da pipa altamente cortante. No último dia 6, a Polícia Militar conseguiu flagrar menores fabricando o produto em um terreno baldio, mas ao ser ouvida a avó de um deles disse não que não via problemas na utilização da mistura de cola e vidro moído. Somente a partir da ação mais ostensiva junto aos pais, sentindo no bolso a ação errada dos filhos, é que poderemos nos tranquilizar um pouco mais diante deste grave problema. A conscientização tem que ser feita dentro de casa para que deixemos de publicar notícias onde uma simples brincadeira passa a ser uma aposta macabra contra a vida a-lheia.

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