Antioquia


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Ela irrompe plena prata sobre o monte
Eu a admiro suspensa em meu lugar:
a sacada de um hotel que se debruça
sobre o rio que corta Antioquia


Olho a lua à minha frente rutilante
e a rua ali embaixo tão tranquila,
o silêncio é de ouro e tange a tarde
movem-se calmas as pessoas e as águas

Chamaram os gregos Oronte a este rio
que os árabes batizaram Asi Nehri:
sobe de sul a norte como guia
esta força que alimenta Antioquia

Ainda há luz apesar das nove horas
marcadas na fachada oriental
a voz do muezim pede uma prece
avisando que a noite logo cai

A lua ilumina o casario
que salpica de branco a montanha
e se reflete perfeita neste leito
ao redor do qual brotou Antioquia

Ela viu gregos, romanos, otomanos,
judeus, muçulmanos e cristãos.
Barnabé, João, Efrem, Ignácio, Paulo
Pedro em sua gruta e outros, tantos!

Terremotos, guerras, invasões
nada pôde contra a força do lugar
damasqueiros resistem carregados
e a rosa se desdobra milenar

Muitas almas passaram por aqui
onde homens continuam a criar
olhando o rio que corta Antioquia
e se deixando banhar pelo luar.
(Antakya, 27 de maio, 2010)
 
 
Sônia Machiavelli
Autora de Uma Bolsa Grená, Estações, Jantar na Acemira e O Poço

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