O ritmo era acelerado. Acelerada era a fala com nuances que ia do grave ao agudo. Seu humor também era assim variável, embora, aparentemente, parecesse sempre estar tranquila. Acelerado seu jeito de fazer as coisas. Às vezes, ou melhor, muitas vezes, dava errado, mas isso não a intimidava. Atirava-se às coisas como uma leoa, guardando seu gatinho frágil bem escondido. Ninguém servia para fazer-lhe algo, pensava sempre que o teria feito melhor, por isso abarcava tudo o que via pela frente e depois, atarantada, sempre se decepcionava consigo mesma.
Tudo tinha que ser ligeiro, não planejava muito, ia... E pronto. Cismou de que precisava aprender a costurar. Desmanchou e refez muitas vezes a mesma peça. Ficou como já se podia imaginar, imperfeita. Pensou: - Não dou para coisa.
- Vou aprender a fazer tricô.
- Contou com a ajuda da boa vizinha que lhe ensinava a arte, mas qual o quê, contar pontos, diminuir pontos, fazer arremate... Ficou também imperfeito. Assim foi com o crochê, o bordado, o macramê. Tudo que exigia paciência, minudência, logo a impacientava:
- Não dou para isso.
Ficar em casa e ver TV era tedioso. Queria a velocidade. Parecia que estava perdendo o bonde da vida. O coração pulsava em rotação avançada. Queria, se pudesse, alcançar as estrelas.
E as alcançou... Como? Quando os livros lhe caíram no colo. Qualquer um, literário ou não. A leitura acalmou seu coração.
- É para isso que eu dou.
- Tornou-se, irremediavelmente, uma aprendiz do novo e foi tão arrebatador que já consegue tirar o pé do acelerador.
Marina Garcia Garcia
Pedagoga e professora de Português
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