Duas ocorrências envolvendo artefatos explosivos artesanais mobilizaram a polícia em Franca. O primeiro caso foi registrado na quarta-feira, quando uma bomba de fabricação caseira foi descoberta dentro do armário de um policial militar, na sede da 5ª Companhia de Policiamento. No outro caso, na manhã de ontem, uma mulher colocou fogo num ônibus de trabalhadores rurais no Bairro City Petrópolis, usando uma garrafa plástica com gasolina, parecida com coquetel molotov (leia abaixo). A explosão provocou queimaduras no motorista, que foi socorrido para a Santa Casa e depois transferido para um hospital especializado em Limeira (SP). A autora fugiu e não foi localizada.
Havia 38 trabalhadores rurais dentro do ônibus. José Roberto Ferreira, 56, morador na Vila São Sebastião, dirigia o veículo e levava os lavradores para uma fazenda na região da Usina do Estreito.
Durante o trajeto, fez uma parada na Rua Waldemar Morais, Bairro City Petrópolis, para pegar mais quatro funcionários. No local entrou também uma mulher, que trabalhou com a mesma turma na fazenda, colhendo laranjas. Ela foi apontada por testemunhas como sendo a incendiária. “Ela entrou no ônibus com a garrafa de gasolina. Acendeu o fogo e jogou no motorista. O corpo dele estava pegando fogo”, disse Antônio de Lima, que sofreu queimaduras de menor gravidade na mão.
O incêndio ficou concentrado na parte da frente do ônibus. “Eu estava mais atrás e não tinha jeito de passar. Vi gente pulando pela janela. Foi terrível. Essa mulher é doida. Ela podia ter matado todo mundo”, disse Maria Aparecida.
Ninguém sabe explicar o que motivou a ex-funcionária da fazenda, moradora no Jardim Cambuí, a praticar o atentado. Após atear fogo no ônibus, ela fugiu e não foi encontrada pela Polícia Militar. De acordo com os lavradores, a suspeita teria pedido demissão na semana passada. “Ela vinha causando muitos problemas. Brigou algumas vezes lá na fazenda e foi até para o escritório. Hoje ela faz uma coisa desta. Ela está louca”, disse uma das lavradoras que estava no ônibus.
O motorista teve queimaduras de 1º e 2º graus em cerca de 80% do corpo. O tórax e os braços foram os mais afetados. “Foram queimaduras graves e tivemos que socorrê-lo às pressas para a Santa Casa”, disse o sargento Emerson, do Corpo de Bombeiros. Ferreira foi transferido na manhã de ontem para Limeira. A ocorrência de tentativa de homicídio e incêndio foi registrada na DIG (Delegacia de Investigações Gerais), que cuidará do caso.
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