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Nos últimos anos, o Comércio da Franca passou por muitas transformações. Cresceu, mudou de endereço, adquiriu novos equipamentos, ingressou na era da internet, comprou uma rádio, contratou novos funcionários, entre outras mudanças. Sidnei Ribeiro, atual editor do caderno Brasil/Mundo, acompanhou tudo isso. Pode-se dizer que ele assistiu a toda evolução de camarote. Afinal, são 30 anos de casa. Entre os funcionários, ele é a pessoa certa para contar cada passo de toda essa evolução. Ribeiro se recorda de tudo. Cada detalhe. Tantos anos na mesma empresa lhe renderam momentos de sufoco, dificuldades, mas também de muitas emoções. Ele também não se esquece de momentos engraçados que quando aconteceram pareciam mais com uma “tragédia”. Com tantos anos de casa, Sidnei Ribeiro se considera um “dinossauro”. Mas faz questão de ressaltar que não é na idade e sim na experiência. “Estou há 30 anos na mesma empresa e ainda encontro ânimo para sair de casa para trabalhar. A diferença é que faço o que gosto”. Ao contrário dos demais repórteres e editores, Sidnei Ribeiro fica sozinho em uma sala pequena em um cantinho da redação. Quem passa em frente a sala tem a impressão que está isolado. Não é bem assim. Ribeiro garante que prefere desta forma. Diz que não conseguiria se concentrar em meio ao burburinho da redação. Mas ao mesmo tempo não consegue trabalhar sem ter um barulho do lado. “Para trabalhar preciso de barulho. Se não for a televisão é o rádio”. Enquanto não está trabalhando, Sidnei gosta de se dedicar aos livros e filmes. É também um profundo conhecedor das novelas brasileiras. “Já cheguei a assistir 20 filmes no final de semana e também não perdia uma novela. Agora, por conta do meu horário, isso não é mais possível. Acompanho pela internet”. E por falar em internet, Ribeiro adora estar conectado: casou-se duas vezes com mulheres que conheceu pela rede. Comércio da Franca - Quando você começou no jornal? Sidnei Ribeiro - Comecei a trabalhar em junho de 1980, exatamente no dia do aniversário do jornal, como revisor. Desde então já fiz de tudo. Fui repórter, fotógrafo, artefinalista... Tive que aprender. O processo era bem diferente: diagramação e arte final eram feitas com papel, tesoura e cola. Nos dias de hoje o jornal é todo informatizado. Na época usava rádio para conseguir me informar sobre o que estava acontecendo no mundo. Hoje temos internet e redes de notícias que nos auxiliam. Com os instrumentos atuais se priorizam muito mais a criatividade, habilidade e capacidade pessoal de cada um. Temos condições de explorar mais a notícia. Comércio - Qual o maior sufoco que você viveu dentro do jornal? Sidnei - Foi na transição do sistema que a gente trabalhava para a informatização total do jornal em 1996. No primeiro dia não saiu o caderno de Classificados. Na verdade, saíram os anúncios do dia anterior porque deu problema no novo sistema. Foi um grande sufoco. Então resolvemos colocar os anúncios do dia anterior e avisamos que o novo sairia no dia seguinte. Comércio - Para você qual foi o momento de maior emoção? Sidnei - Tive uma grande alegria quando o jornal adquiriu a rádio Difusora. Era um sonho do “sêo” Corrêa (jornalista Corrêa Neves, falecido em 2005). Antes dele comprar o jornal havia tentado conseguir a concessão da rádio Difusora, mas não deu certo. Outra grande emoção aconteceu quando foi inaugurada a atual impressora e o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, deu partida na máquina (impressora rotativa importada). Foi uma das grandes emoções da minha vida. Comércio - E histórias engraçadas, você tem lembrança de alguma que marcou? Sidnei - Antigamente, acontecia muito de se trocar foto de lugar. Uma vez saiu na coluna social a foto de uma vaca e de uma senhora da sociedade. Na legenda dizia que a “a mulher era esposa ilustríssima de fulano de tal” e na outra dizia “essa linda vaquinha ganhou um concurso”. Só que trocaram as legendas. A vaca virou a esposa do homem e a mulher a vaca que ganhou o prêmio. Tivemos que pedir muitas desculpas no dia seguinte para os envolvidos da história. Comércio - É lendário, entre o pessoal do jornal, a capacidade que você de guardar informações de novelas e filmes. Como é isso? Sidnei - É com novela, filme, música e com todas as coisas de que eu gosto. Graças a Deus sempre tive uma memória privilegiada para reter informações; lembro-me de coisas de quando eu tinha cinco anos de idade. Se vejo algo de que gosto, gravo e não me esqueço mais. Atualmente, estou há quase um ano sem ver novelas por causa do meu horário no jornal. Já filmes vejo pelo menos dois por semana. Mas já teve tempo que eu assistia até 20 filmes num único final de semana.
Comércio - E sua paixão pelos livros? Sidnei - Gosto muito de ler. Fui muito influenciado por minha mãe, que lia muito. Geralmente leio três livros ao mesmo tempo. Dependendo do meu estado de espírito paro um e avanço no outro. Não tenho ideia de quantos já li, mas só da Agatha Christie foram mais de 70. Comércio - Você casou duas vezes com mulheres que conheceu pela internet. Conte um pouco dessas histórias. Sidnei - A primeira, conheci em uma página de relacionamentos. Deixei meu perfil e a pessoa, que era de São Paulo, gostou e entrou em contato comigo. Começamos a trocar mensagens e quando vi a gente já estava casando. A segunda, Elaine, conheci em uma sala de bate papo. Passamos a conversar pelo MSN e em pouco mais de um mês estávamos morando juntos e assim estamos até hoje. Se é que alma gêmea, ela é a minha. Comércio - Como é essa relação de décadas de vida como jornal? Sidnei - O Júnior (Corrêa Neves Jr., diretor-executivo do GCN Comunicação) me deu recentemente um livro chamado O diário do último dinossauro, do Joel Silveira, que é um dos maiores jornalistas que o Brasil já teve. Na hora achei que ele estava me chamando de velho. Mas não é. Eu até me assumi como dinossauro do jornal. Mas não no sentido de idade, mas de experiência. Comércio - Em algum momento pensou em desistir de tudo? Sidnei - Houve momentos em que eu quis parar por conta de problemas pessoais que eu estava vivendo. Mas acho que não conseguiria porque é a única coisa que gosto de fazer. Jornalismo, antes de tudo, é um dom. Se você não tiver dom para uma determinada coisa, você não passa 30 anos fazendo isso. |
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