O cerol, mistura de cola com vidro moído que é aplicada em linhas de pipas, fez uma vítima no final da tarde de terça-feira em Franca. O vendedor Reginaldo Messias, 37, residente no Jardim Portinari, teve o queixo, o pescoço e o dedo indicador da mão esquerda cortados por uma linha com o produto quando seguia com sua moto pela Rodovia Cândido Portinari, sentido pontilhão da Vila São Sebastião ao Jardim Guanabara. O capacete e as alças de queixo evitaram que a linha atingisse sua jugular.
O vendedor tinha uma moto parada em casa há mais de três meses e optou por vendê-la a um amigo. Após revisão em uma oficina, ele foi entregar o veículo. Pouco antes das 18 horas, ele seguia com a moto pela rodovia, quando, na altura do quilômetro 400, foi atingido. “Senti um ‘trem’ enrolando em mim e, quando vi que era uma linha com cerol, entrei em desespero”, disse.
O instinto fez Reginaldo colocar a mão na linha, o que ocasionou um corte profundo no dedo indicador da mão esquerda. Naquele momento, segundo ele, a preocupação era com o pescoço. Um corte profundo no queixo e outros superficiais no pescoço assustaram o rapaz. “Eu vi a morte na minha frente, mas, graças a Deus, a linha travou no capacete. Se não fosse isto, eu não estaria aqui dando entrevista”.
Apesar do grande movimento de veículos no trecho onde ocorreram os fatos, nenhum parou para ajudar o vendedor. Mesmo sangrando, ele seguiu para a casa do amigo no Jardim Tropical, onde uma mulher o levou até o Hospital Regional. Foram 18 pontos cirúrgicos no queixo e outros 20 pontos no dedo da mão. “O médico disse que eu tive sorte porque a jugular não foi atingida por milímetros”.
PUNIÇÕES
O cerol é proibido em todo o Estado de São Paulo. Quem for flagrado usando a mistura paga multa. Se for menor, será conduzido pela polícia até a delegacia para registro de boletim de ocorrência e só será liberado com a presença dos pais ou responsáveis.
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