O tema de hoje tem sido abordado pelo meu editor Luiz Neto, o que me leva a solicitar vênia para partilhar do assunto. Obra premiada com o Jabuti 2001, Editora Atheneu, assinada por Antônio Tadeu Fernandes, médico infectologista, Infecção Hospitalar e suas Interfaces na Área da Saúde destaca em suas páginas 97 a 102 um pioneiro na luta contra a infecção: Ignaz Philipp Semmelweis.
Está entre os notáveis Louis Pasteur (1822/1995), químico, criador da vacina para raiva; a enfermeira Florence Nigthingale (1820/1910); o conhecedor da biologia, Heinrich Hermann Robert Kock, que criou regras para combate a epidemias e Oliver Wendell Holmes.
Quase nada se falava sobre Semmelweis, sua vida e suas pesquisas em uma clínica de Viena para detectar a causa da febre puerperal, responsável por alto índice de óbitos de parturientes e seus rebentos, até sair esta obra. Semmelweis (1818-1865) nasceu em Ofen, na Hungria que fazia parte do Império austríaco. Posteriormente foi para Viena.
Sua origem húngara, seus pensamentos contestadores, sua vocação para inovações motivaram no conservador diretor da clínica onde foi servir como assistente, saliente oposição. Não se deixando vencer pelo contraditório, prosseguiu Semmelweis na busca causal da febre puerperal, até que descobriu a matéria cadavérica como caminho migrando de uma para outra parturiente e contaminando ainda intraútero aos que viriam aumentar a mortalidade dos recém-nascidos.
Nosso pioneiro no combate à infecção mandou afixar na entrada da clínica essa determinação: ‘A partir de hoje, 15 de maio de 1847, todo estudante ou médico é obrigado, antes de entrar nas salas da clínica obstétrica a lavar as mãos com uma solução de ácido clórico, na bacia colocada na entrada. Esta disposição vigorará para todos, sem exceção’.
Angustiado por saber-se impotente para conter a mortalidade declarou o estudioso: ‘Só Deus sabe a conta das que, por minha causa, desceram prematuramente à sepultura!”. Na introdução de seu livro registrou: ‘o dever mais alto da medicina é salvar vidas humanas ameaçadas”.
Permitam-me leitores amigos, saltar mais de 150 anos na história, direto para os tempos de hoje, mas ainda observando seus exemplos.
Recentemente autoridades da saúde, no afã de diminuir o impacto de uma epidemia de gripe, concitou a sociedade a adotar o hábito de lavar as mãos à guisa de proteção e proliferação de tantas doenças. Nada mais acertado que tentar incutir na família a cultura da higiene, saneamento barato e eficaz.
Você leitor, tem estado atento ao seu médico lavando as mãos para atendê-lo? É verdade que a maioria não toca no paciente, apalpar ou auscultar já era. Você já foi atendido no plantão de saúde, seja no hospital do seu caro convênio, nas assistências públicas?
Especialmente aos domingos é bem comum encontrá-los de tênis coloridos ou botina amarela, calça jeans, camisa vermelha com o disfarce de um jaleco branco. Com exceção do jaleco, aquele traje não pode ter circulado pelos bares, beira do rio ou mesmo o curral do sítio do doutor?
Garcia Netto
Jornalista
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