Adolescentes viciados em drogas que precisam de tratamento em Franca encontram dificuldades para serem atendidos pela rede pública de Saúde. Há cerca de 30 dias, o Capsad (Centro de Atendimento Psicossocial para Tratamento de Álcool e outras Drogas), responsável pelo atendimento de crianças e jovens com este tipo de problema, não está fazendo agendamentos. Segundo conselheiros tutelares, os encaminhamentos de menores para tratamento não estão sendo respeitados.
A situação é grave. O levantamento mais recente do Conselho Tutelar mostra que, de janeiro a junho deste ano, foram atendidos em média 37 jovens envolvidos com drogas e álcool por mês. “A maioria precisou ser encaminhada para tratamento. Não conseguimos atendimento. Ligamos lá (no Capsad) e nos informaram que a suspensão seria por tempo indeterminado”, disse a conselheira tutelar, Gláucia Limonti.
Ontem, às 12h15, a reportagem do Comércio ligou no Capsad e foi informada que o atendimento aos jovens estava sem funcionar e agendamentos não estariam sendo feitos neste mês.
Sem o serviço, os adolescentes ficaram sem atendimento. Na cidade, nem todas as clínicas de recuperação para dependentes químicos aceitam menores de idade. O Narev (Núcleo de Apoio e Recuperação da Vida) recebe adolescentes a partir dos 16 anos, mas nem sempre há vagas disponíveis para internação. A Amafem (Associação Mão Amiga de Amparo Feminino) não faz restrições às idades, mas só recebe mulheres e, como o Narev, exige internação do dependente. “Tem jovens que não aceitam passar meses internados para o tratamento. No Capsad, eles participavam de atividades durante a semana, sem precisar ficar lá. Eles podiam continuar estudando, tendo a vida deles normal”, disse a conselheira Gláucia.
Segundo ela, o atendimento prestado pelo Capsad aos jovens era paliativo, mas importante. “Precisava muito mais, é claro, mas tirar o pouco que temos não pode. Se família ou usuário procuram, o município tem que oferecer algo. Se o jovem vai prosseguir com o tratamento não sabemos, mas temos de oferecer”.
NORMAL
Por volta das 16 horas, ao ser procurado para comentar a suspensão nos atendimentos, o secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, disse que os atendimentos já haviam sido retomados. Questionado sobre a informação dada pela funcionária do Capsad às 12h15, ele disse que não procedia. “O atendimento foi suspenso apenas por 15 dias para reformulação e já retornou”.
Segundo Alexandre, o serviço aos adolescentes é oferecido há três anos e atende 30 pessoas entre 15 e 17 anos. Como os adultos, recebem atendimentos de psicólogo, psiquiatra, terapeuta ocupacional e auxiliar de enfermagem. No Capsad têm oficinas de bonsai, horta e artesanato. Os encontros são em grupo, mas, com a reformulação promovida pela Secretaria de Saúde, cada jovem terá um projeto terapêutico individual, de acordo com as necessidades.
PÚBLICO GERAL
O Narev realiza uma vez por semana encontros para dependentes químicos e familiares e oferece orientações sobre como lidar com o vício. Os encontros são na sede da entidade, às quartas-feiras, às 20 horas, na Rua dos Pracinhas, 720, no Residencial Paraíso. “O trabalho com os jovens dependentes precisa de estrutura apropriada, mas nas reuniões de apoio qualquer um pode participar, inclusive menores de idade”, disse Michele Mantovani, psicóloga do Narev.
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