A 42ª Francal (Feira Internacional de Moda em Calçados e Acessórios) encerrada na última quinta-feira em São Paulo foi a melhor dos últimos cinco anos. Recuperados das perdas provocadas pela crise econômica de 2008, os calçadistas comemoraram as vendas e estão otimistas com as negociações que serão concretizadas no pós-feira. A Francal garantiu praticamente a produção de todo o segundo semestre, acendendo a perspectiva de um possível “apagão” de mão de obra para o setor. Empresários que chegaram à Francal 2010 com a expectativa de fazer contatos e divulgar a marca acabaram surpreendidos com os pedidos recebidos.
Há seis anos expondo na feira, a Anatomic Gel fechou 30 mil pares durante os quatro dias de Francal e garantiu um mês de produção. A empresa fabrica 1,5 mil pares/dia. “Esta foi a melhor Francal de todos os tempos e poderia ter sido ainda melhor se não fosse a Copa”, disse o gerente comercial, Jean César. Na quarta-feira, quando Espanha e Alemanha jogaram por uma vaga na semifinal da Copa do Mundo, Jean sentiu uma queda na movimentação de clientes.
Na Calvest, o movimento foi tanto que as recepcionistas foram obrigadas a controlar o acesso do público. “Estamos com julho e agosto comprometidos. Os representantes no pós-feira garantirão os meses de setembro a novembro. Fechamos todo o segundo semestre na Francal”, disse José Luís Granero, diretor comercial da empresa. Durante a feira, foram 60 mil pares de calçados vendidos. No ano passado, este volume foi 20% menor. A produção da Calvest é de 5 mil pares por dia. “Desde fevereiro estamos no limite e vamos continuar assim neste segundo semestre”.
Para Andrea Naldi, gerente de marketing da Democrata, o crescimento da feira e o bom momento econômico permitiram um crescimento de 10% nas vendas em relação ao ano passado. A empresa não revelou o total de pares negociados em 2010 e 2009.
Projetando a contratação de 200 novos funcionários, a Mariner, que produz hoje 8 mil pares/dia, deve, até o fim do ano, ter um crescimento de 25%. “Se o primeiro semestre foi bom, o segundo será ainda melhor. A Francal proporciona boas vendas e nós vamos precisar formar a mão de obra que vamos contratar. Há cinco anos não tínhamos um resultado tão bom”, disse Paulo Coelho, diretor da Mariner.
A preocupação em recrutar profissionais também foi apontada pela diretoria da Pipper, que pretende contratar 50 funcionários para ajudar na produção depois das vendas alcançadas durante a feira. A empresa comercializou 20 mil pares e recebeu visitação de importadores da Arábia Saudita, Japão, Inglaterra e de países da América Latina. “A feira garantiu um mês da nossa produção, mas queremos no pós venda triplicar o número de pedidos”. No ano passado, a Pipper negociou metade dos pedidos fechados na edição 2010 da Francal. “Ultrapassamos nossa meta de vendas. Não temos do que reclamar. Agora é arregaçar as mangas, contratar pessoal e trabalhar”, disse Rodrigo Carrera, gerente de marketing.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.