‘Mulher deveria acordar de salto alto’


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‘CHIC’ - O “arquiteto dos calçados” Fernando Pires com um de seus modelos de saltos altíssimos: na tentativa de criar um estilo mais comercial, lançou a marca Fernando Pires Chic que tem saltos mais baixos
‘CHIC’ - O “arquiteto dos calçados” Fernando Pires com um de seus modelos de saltos altíssimos: na tentativa de criar um estilo mais comercial, lançou a marca Fernando Pires Chic que tem saltos mais baixos

Cristais, brilho, couro, saltos altíssimos, design exclusivo, mão de obra artesanal e um nome que causa frisson em todas as mulheres: Fernando Pires. Aos 56 anos, o “arquiteto dos calçados”, que é arquiteto por formação, aguça nas mulheres o sonho de rechear o closet com seus pares de sapatos. Assim como Christian Louboutin (estilista das estrelas de Hollywood) é conhecido por suas solas vermelhas, Pires tem como principal marca seus saltos altíssimos. “A mulher deveria acordar de salto alto”, exclama. Outra marca de seus calçados são as aplicações em cristais. Uma mostra é um dos modelos que o arquiteto expôs na 42ª Francal, um clássico da marca, feito com 28 metros de pedrarias e custa R$ 3 mil para o consumidor final.


Pires conta 28 anos de profissão e 20 só da marca que leva o seu nome, criada no inverno de 1990. Ele veste pés de estrelas como Hebe Camargo, Cláudia Raia, Cláudia Leitte, Suzana Vieira e uma constelação incontável de celebridades brasileiras e internacionais. “Faço muito apoio a teatro e filmes. Então acabo calçando muitas celebridades, não saberia quantificar”, diz.
Mas ele queria mais. Queria atingir um público que não parecia ser seu.


Queria também ganhar mais dinheiro. Então, lançou, em dezembro de 2009, a marca Fernando Pires Chic, voltada para mulheres com menor poder aquisitivo que o público de sua primeira linha. Trata-se de algo mais comercial, para vender.


Na segunda linha, de acordo com Pires, os preços variam entre R$ 60 e R$ 350. Já o preço médio dos calçados da primeira linha é R$ 750.


Sua fábrica fica em São Vicente, cidade onde nasceu, e emprega apenas 19 pessoas que, “com muito sacrifício e muita hora extra conseguem fazer cerca de mil pares por mês”, nas palavras do empresário que passa no local três dias da semana. Lá, como cá, há o drama da escassez da mão de obra. “Eles são artesãos. É gente que não se encontra mais. Vão morrendo e não aparecem profissionais para substituí-los. É uma espécie em extinção”, afirma.


Já a linha Chic é produzida no Rio Grande do Sul, subdividida em três fábricas que ficam na região de Igrejinha.


Na Francal ele montou um estande com o objetivo maior de divulgar esta segunda linha. Quase se arrependeu. “Vi que os calçados da primeira linha estava ofuscando a segunda. O espaço ficava lotado, mas com muita gente que queria ver o sapato Fernando Pires de perto, pegar, nem sempre comprar”.


Mas não era só o Fernando Pires “sapato” que elas queriam ver. Queriam também o Fernando Pires “pessoa”. “Até tínhamos uma noção de quantas fotos estava tirando, mas depois perdemos a conta”, diz. Confira a entrevista que o “arquiteto dos calçados” concedeu ao GCN Comunicação.

 

Comércio da Franca - Qual a característica mais forte de seus calçados e quais as diferenças entre as linhas Fernando Pires e Fernando Pires Chic?
Fernando Pires -
Da primeira linha, salto alto sempre. É sedução. É fetiche. São sapatos feitos a mão, prezando a arte. Prezamos o conceito, sem preocupação com o comercial. Nesta primeira linha, é oito ou oitenta. Praticamente não há sapatos baixos, mas quando tem, eles não são nada básicos, não há nada de simples, como rasteirinhas. São carregados de pedras, de strass, de cristais. As solas são sempre mais limpas ou naturais. Na linha Fernando Pires Chic aparecem saltos menores. A proposta é que seja um sapato mais comercial e menos “sapato-arte”. Quanto à sola, na linha comercial fazemos essa brincadeira de profusão de cores na sola, ela vem mais colorida algumas vezes. São calçados que as pessoas podem usar independente de ser um evento ou festa.

Comércio da Franca - Quando a mulher deve usar salto alto e quando deve descer do salto?
Pires -
A mulher deveria acordar de salto alto. Não tem nada mais feminino, é um detalhe que pertence só a mulher, que não faz parte do mundo do homem. O homem não tem o direito de usar, apesar de tudo ter começado com Luiz 15. É claro que seria um absurdo já acordar de salto, apesar de ter mulheres que fazem isso. O mais correto é trabalhar de salto médio e usar o alto em eventos.
 
Comércio da Franca - Como a mulher que não consegue usar salto faz para ficar elegante?
Pires -
Se ela não conseguir vai ter que puxar a elegância de dentro de si para fora. Claro que o salto dá uma estética mais elegante, mas desde que a mulher saiba andar neste salto. A elegância começa em 7,5 (altura do salto em centímetros). Daí para baixo perde todo o glamour, ela não vai ser glamourosa, estilosa.
 
Comércio da Franca - Em que se pode apostar para não errar na temporada primavera/verão?
Pires -
Vou novamente falar do que mais gosto, que é o salto. Os tons naturais são muito importantes, o nude, o marfim, o aveia. Todos esses tons naturais estarão muito fortes. Quando às cores, “adooooro” os tons coloridos de verão, uso no inverno inclusive, todas essas cores fortes, luminosas. Continuarão em alta o rosa, o limone, o laranja, o azul elétrico, que é um “bic mais cheguei”.
 
Comércio da Franca - Você ficou rico fazendo sapatos?
Pires -
De jeito nenhum. Faço tudo pensando primeiro no meu prazer de fazer e o primeiro retorno é ver vocês, mulheres, felizes, radiantes e glamourosas com as minhas criações. Agora é que comecei a pensar nisso. Não em ficar rico, mas em conseguir um sossego. Faço o mesmo sapato há 20 anos e o mundo rodou, rodou, girou e parou (em relação as tendências de sapatos) no que eu faço há 20 anos. Antes as grandes fábricas não se aventuravam a fazer saltos e plataformas altíssimos e eu brinquei com isso, de fazer sapatos que eu tinha o prazer de fazer. Mas deu, sim, para pagar as contas.
Hoje há uma concorrência muito grande, porque os fabricantes fazem mil pares por dia e eu faço isso por mês. Então, a segunda linha vem de encontro com isso também. Ela foi feita mulheres que desejam ter um Fernando Pires e não tinham condições pelo preço e pela altura do salto e também para me dar um sossego, um respaldo para que eu possa continuar fazendo a arte que eu desejo seguir fazendo.
 
Comércio da Franca - O que você diz sobre a Francal?
Pires -
Eu não participo de todas as edições, a última em que estive aqui foi em 2006. Mas eu sempre venho com uma grande expectativa, como se fosse a primeira vez. Conhecer novos clientes e abrir novos pontos de venda, principalmente no exterior que é a minha intenção com a marca Fernando Pires e com a Fernando Pires Chic, que a gente já está abrindo um leque super grande em todo o País. Neste último dia (quinta-feira, 8) decidi tirar quase tudo do estande e deixar só um aperitivo. As pessoas estavam olhando só para a primeira linha. E se eu tivesse ganhado por foto tirada, aí sim teria ficado rico, foi incontável.
 
Comércio da Franca - Qual é a inspiração de suas marcas?
Pires -
É uma palavrinha muito simples: sedução. Eu acho que se o sapato não tiver sedução, não vai seduzir você, compradora, que não vai seduzir seu namorado, ou seu futuro namorado e nem vai causar inveja nas amigas.
 
Comércio da Franca - Você faz muitos sapatos para pessoas famosas. Isso ajuda a marca a crescer?
Pires -
Nossa... Muito. A mulher comum que vê o ídolo na televisão com um calçados e depois poder ter um sapato que a Hebe usa, que a Claudia Raia usa, é meio caminho andado. Eu acho que quando uma atriz ou uma cantora usa o sapato e divulga isso, toda mulher quer. Quando eu fiz uma sandália em 1993 que a Madonna usou, passei um ano inteiro fazendo a sandália que ela estava. Foi incrível.
 
Comércio da Franca - Qual é sua aposta para esse ano? Tem uma nova sandália para outra personalidade?
Pires -
Ah tem... Agora é a Lady Gaga que vem esse ano ainda. Tem umas coisas que tem muito salto, muita plataforma que são a cara dela, né?

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