Tarda mas não falha


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Diz o povo, com sua proverbial sabedoria, que a “Justiça Divina tarda mas não falha”. Com sabedoria porque, realmente, a Justiça Divina sempre está presente em todos os atos, acontecimentos e fatos da vida humana. E o atribuo da Justiça, com todos os demais referentes ao Criador, é ilimitado e não falha nunca. Nos mínimos acontecimentos, a Justiça está presente. No geral, estamos acostumados a ver a presença da Justiça Divina somente quando nos atende aos interesses. Entretanto, mesmo quando nos contraria, há manifestações da Justiça Divina. Foi Jesus quem no-lo disse: “até os cabelos da vossa cabeça estão contados. Não cai uma folha da árvore sem que se manifeste a Vontade do Pai”.


Segundo o que nos informa a Doutrina Espírita, “Deus é a inteligência suprema, Causa primária de todas as coisas”. Assim, para nós espíritas Deus não é um homem, mas um ser espiritual universalmente onipresente, conforme disse Jesus à mulher Samaritana. E o Espírito de Deus se manifesta na natureza e aos homens pelas suas sábias Leis que são de Amor, Sabedoria e Justiça. Portanto, quando dizemos que a Justiça de Deus tarda, mas não falha, expressamos uma visão muito humana, limitada, dos acontecimentos.


Para que tudo esteja de acordo com a mais absoluta justiça, a Sabedoria Divina aguarda que tudo se encaixe, que os diversos fatores se acomodem, que estejamos adequadamente amadurecidos para, então, Ela se cumprir. É por isso que, aparentemente, algumas injustiças ficam suspensas, aguardando a hora oportuna para se efetivarem. Isto se dá porque a Lei tem dois aspectos principais: corrigir e educar. De nada adiantaria o cumprimento da Lei, pura e simplesmente, sem o objetivo do aprendizado. Na nossa miopia espiritual, muitas vezes, não sabemos compreender a amplitude da Justiça Divina. Queremos que Ela se apresente no exato momento e aos nossos olhos. Contudo, Deus sabe esperar nosso amadurecimento para que não ocorra a corrigenda pela simples corrigenda. Se não ocorre de podermos presenciar o chamado choque de retorno imediatamente, acreditamos, ilusoriamente, que a Justiça não se fez. Quanto engano!


Se observarmos atentamente as mensagens consoladoras recebidas pelo médium Chico Xavier e endereçadas aos familiares de pessoas falecidas, verificaremos os desencarnados afirmarem que “daquela situação, daquele momento”, não poderiam se ver livres. Então, é o cumprimento da Justiça Divina, em benefício do próprio Ser. E não se pense que a Justiça está somente nos grandes acontecimentos da vida. Não! Ela está em todos os acontecimentos. Individuais e coletivos.


Veja-se o que ocorreu agora, na Copa de Futebol. Passaram-se 44 anos de uma injustiça acontecida na Inglaterra, que se sagrou campeã mundial em virtude de um gol que não aconteceu e foi validado pelo juiz. Agora, na África, a mesma Inglaterra fez um gol legítimo que foi anulado pelo juiz e provocou a desclassificação do time inglês. É a Justiça Divina que não tarda, mas que se realiza na hora oportuna, no momento adequado.

 

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Idefran (Instituto de Divulgação Espírita de Franca)

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